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Plano Biden é inspiração, mas Brasil copiá-lo é fantasia, diz economista

DO UOL, em São Paulo

12/05/2021 13h32Atualizada em 13/05/2021 10h20

O economista e diretor do Center of Macroeconomics and Development, em Washington (EUA), Otaviano Canuto, afirma que o Brasil pode se inspirar no plano implementado pelo presidente dos EUA, Joe Biden, para ajudar a economia a se recuperar da pandemia da covid-19. Segundo ele, porém, é "uma fantasia" pensar que o Brasil possa copiar o chamado Plano Biden.

O Brasil tem um ponto vulnerável no lado fiscal. A ideia de que você possa reproduzir a experiência norte-americana no Brasil me parece uma aventura extremamente arriscada, porque os juros sobem e você pode entrar em uma trajetória explosiva entre prêmio de risco, juros e dívida pública. Gosto da ideia do conteúdo do programa do Biden, no sentido de que nós no Brasil deveríamos já estar começando a repensar o arcabouço de proteção social no Brasil por conta das sequelas que a pandemia vai deixar.
Otaviano Canuto

O economista participou, nesta quarta-feira (12), do seminário UOL Líderes. O evento reuniu especialistas para avaliar a situação do Brasil e o que esperar da economia nos próximos meses, por causa da pandemia de covid-19. Também participou do painel a economista Natalie Victal, da Garde Asset Management. O seminário teve outras quatro partes e foi transmitido ao vivo pelo UOL.

Canuto afirmou, ainda, que o país deve avaliar, por exemplo, como fazer a ampliação do Bolsa Família sem "entrar no insustentável, que foram recursos no ano passado" - uma referência ao pagamento do auxílio emergencial em 2020.

[O país precisa de] alguma coisa no meio-termo. Deveria usar o exemplo do Biden para olhar composição do gasto público e o sistema de proteção social. Mas achar que podemos fazer programas fiscais ambiciosos e volumosos como os americanos é uma fantasia. A Europa pode, como um todo. Não é algo disponível para países em crise.
Otaviano Canuto

Revisão de programas sociais

Mais uma participante do seminário UOL Líderes, Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander, também afirmou que o país precisará rever seu programa de proteção social. Segundo ela, é "previsível" que a pandemia fará com que a desigualdade no país aumente.

O Brasil gasta R$ 150 bilhões só em assistência social, sem políticas extraordinárias da pandemia. É razoável, mas não tão efetivo quanto poderia ser. Caberia reestruturar programas, dando incentivo para qualificação, fazendo integração melhor dos programas, dando acesso prioritário à educação, equalizando o sistema público ao privado. Temos espaço, mas passa por muita gestão e liderança. (...) Seria uma reconstrução do Bolsa Família, ligado ao mercado de trabalho, à assistência básica e a programas que incentivem assistência educacional.
Ana Paula Vescovi

Veja a íntegra da participação do economista Otaviano Canuto no seminário UOL Líderes: