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'Entramos numa bola de neve', diz Gabriela Chaves sobre alta de preços

Pessoas usam máscaras para circular em supermercado de Copacabana, na zona sul do Rio - Herculano Barreto Filho/UOL
Pessoas usam máscaras para circular em supermercado de Copacabana, na zona sul do Rio Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL

Do UOL, em São Paulo

14/05/2021 09h30Atualizada em 14/05/2021 19h34

A economista Gabriela Chaves afirmou hoje que o Brasil está entrando em uma bola de neve com a alta de preços e que o governo federal e o Banco Central precisam adotar medidas para que a população retome sua qualidade de vida. A declaração foi dada ao UOL News.

Neste ano, a inflação das despesas essenciais ficou 22% acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Até março, o preço dos combustíveis (veículos e gás) avançou 21,65%.

Dados do IPCA ainda mostram que o grupo alimentação e bebidas acelerou a 0,4% em abril, ante 0,13% no mês anterior. O leite (2,4%), o frango em pedaços (1,95%) e as carnes (1,01%) foram os que registraram maior alta.

Nos últimos 12 meses, de acordo com o IPCA, as carnes acumulam alta de 35,05%. "Aumenta o preço dos combustíveis, o custo dos insumos, o custo de todas as mercadorias encarece, mas o salário do trabalhador está diminuindo com o desemprego. É fundamental que a gente tome medidas para retomar a qualidade de vida. De outra forma, vamos ver o cenário da insegurança alimentar crescendo no Brasil", afirmou ela.

Gabriela também comentou os dados da inadimplência. Segundo informações da Boa Vista, março registrou alta de 5,1% nos registros de pessoas que descumpriram seus compromissos financeiros, na comparação com o mesmo período do ano passado. "É um retrato que nos ajuda a entender como o aumento de preços tem impactado nas famílias, que não conseguem pagar suas contas em dia".

Vou reivindicar uma frase da economista Conceição Tavares: 'As pessoas não comem PIB (Produto Interno Bruto), elas comem alimento".
Economista Gabriela Chaves

Segundo Gabriela, não adianta focar na questão do PIB com a desigualdade em alta. "O crescimento do PIB não se traduz em bem estar para a população. É fundamental que a gente pense uma política que, de fato, atenda as pessoas mais pobres. O crescimento do PIB é sim relevante, mas temos que falar de redistribuição de renda e de como facilitar o acesso ao consumo básico por parte da população".