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Cai número de investidores que contam com dinheiro do INSS ao se aposentar

Camila Mendonça

Do UOL, em São Paulo

22/06/2021 04h00

O número de investidores que esperam ter renda da aposentadoria pública para se aposentar tem caído ano a ano. É o que mostra levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), feito em parceria com o Datafolha, e obtido com exclusividade pelo UOL.

O estudo mostra que em 2018, 56% dos entrevistados consideravam a previdência social como uma das formas para se sustentar na aposentadoria. Esse número caiu para 51% em 2019, e para 48% em 2020. Essas pessoas pretendem se manter com seus investimentos pessoais, com aluguel de imóveis, trabalhando após a aposentadoria ou com ajuda da família.

A maior queda ocorreu entre pessoas da classe B, com renda média de R$ 7.400: 53% deles apostavam no INSS para se aposentar em 2018, mas o percentual caiu para 44,5% em 2019 e para 28,9% em 2020.

Na classe A, cuja renda média considerada pelo estudo é de R$ 21.100, o INSS estava nos planos de aposentadoria de 34,5% dos consultados em 2018, subiu para 37,9% em 2019, e caiu drasticamente para 26,2% em 2020.

"Quando a gente teve o debate forte sobre a Reforma da Previdência, em 2019, teve uma queda drástica. Toda vez que tem uma discussão sobre Previdência e as tentativas de reformar, a gente vê um aumento da preocupação entre as pessoas", afirma Marcelo Billi, superintendente de comunicação, certificação e educação de investidores da Anbima.

O estudo ouviu 3.400 pessoas das classes A, B, e C que têm aplicações financeiras —ou seja, qualquer produto financeiro que tenha algum rendimento, como poupança, títulos públicos e previdência privada.

Classe C vê estabilidade no INSS

Segundo Billi, os números dos respondentes das classes mais altas representam um receio de queda brusca de renda na aposentadoria, uma vez que o teto do INSS, de R$ 6.433,57, está abaixo da renda média da classe B, e representa em torno de 30% da renda média da classe A.

Entre os respondentes da classe C, com renda média de R$ 2.800, também houve queda, mas em menor intensidade em relação às classes mais altas. Em 2018, 54,6% afirmaram que o INSS será um caminho para se sustentar na aposentadoria, passando para 49% em 2019 e 45,9% em 2020.

Para essa faixa de renda, o valor da aposentadoria pública não se distancia do salário que tem hoje. Além disso, o INSS representa uma estabilidade de renda que a classe C pouco teve ao longo da vida, de acordo com Billi.

"A classe C já tem uma renda mais próxima do benefício da previdência e, por isso, ela não visualiza uma queda na renda quando se aposentar, diferentemente das classes mais altas. A classe C hoje não tem a estabilidade de renda que as outras classes têm, e quando uma parte da classe C se aposenta, ganha uma estabilidade que ela passou a vida inteira sem ter", afirma.

Apesar disso, o estudo mostra que os respondentes dessa faixa de renda sabem que o INSS pode não ser suficiente e já preveem que vão continuar trabalhando quando se aposentarem.

O número daqueles que disseram que vão viver do próprio salário, mesmo depois de aposentados, subiu de 17,5% em 2019 para 21,1% entre a classe C. Enquanto isso, caiu de 24,6% para 15,1%, entre a classe A; e de 22,4% para 13,4%, entre a classe B.

Classe C também quer viver de investimentos

Embora considere trabalhar e viver do INSS, parte dos respondentes da classe C já considera viver dos investimentos ao se aposentar. Essa faixa de renda foi a única que aumentou a proporção na resposta sobre viver de aplicações durante a aposentadoria, saindo de 9,1% em 2019 para 11,1%, em 2020.

Entre as classes mais altas, a proporção caiu de um ano para outro, indo de 20,2% para 16,2%, entre a classe B; e de 34,6% para 28%, entre a classe A.

Segundo Billi, da Anbima, a crise provocada pela covid-19 pode ter deixado as classes mais altas mais conservadoras, e afetado a percepção futura delas em relação a alguns ativos, como Bolsa. Além disso, uma parcela das pessoas dessa faixa de renda pode ter usado parte dos investimentos que têm para complementar uma possível renda perdida, ou para pagar dívidas.

"Uma parte desse pessoal está gerindo a própria carteira, incluindo produtos que podem não ter uma tributação vantajosa para aposentadoria", afirma Billi, que diz que apesar de estarem diversificando, as classes mais altas não necessariamente estão investindo mais.