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Turismo no Brasil deve bombar, mas viagens para fora e de negócios frustram

Presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, diz que turismo doméstico está reagindo, mas o internacional ainda vive incerteza - Divulgação/Abear
Presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, diz que turismo doméstico está reagindo, mas o internacional ainda vive incerteza Imagem: Divulgação/Abear

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

08/08/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Agências de viagens já registraram maior procura por destinos brasileiros nas férias de julho
  • Setor de viagens vê aumento de vendas para destinos locais no próximo verão e férias de fim de ano
  • Já viagens internacionais e setor de eventos seguem mergulhados na incerteza

Viagens de turismo dentro do Brasil devem bombar no fim de ano, mas as internacionais e de negócios vão ser bem fracas. A expectativa de executivos de viagens para o fim deste ano é de um volume no mesmo nível do registrado antes da pandemia para destinos nacionais.

Operadoras e agentes de viagens apontam crescimento de 20% nos embarques em julho deste ano em relação a junho. Eles dizem que esse desempenho é termômetro para a procura esperada para o verão. A venda de passagens e diárias de hotel para empresas -o turismo corporativo- e para destinos internacionais está ainda em apenas 10% do que era realizado antes da pandemia.

Viagens nacionais em alta com vacinação

As vendas de pacotes, passagens e diárias para destinos dentro do Brasil, o turismo doméstico, vêm crescendo desde maio, após o tombo sofrido entre fevereiro e abril. Segundo o presidente executivo da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), Roberto Nedelciu, as vendas estão crescendo 20% ao mês desde maio.

Julho está sendo bem melhor que junho, que foi melhor que maio. As pessoas vacinadas se sentem mais à vontade para planejar e comprar viagens. A gente tinha visto isso com pessoas com mais de 60 anos, depois com aquelas com mais de 50 anos e hoje já vemos mais pesquisas sendo feitas por pessoas com 30 anos.
Roberto Nedelciu, presidente executivo da Braztoa

Atualmente, diz Nedelciu, apenas 15% das operadoras estão vendendo de 76% a 100% do que comercializaram em 2019. Em 2020, o faturamento dos associados da Braztoa foi de R$ 4 bilhões, pouco mais de um quarto dos R$ 15 bilhões de 2019.

Férias de fim de ano com mais procura

Também segundo a presidente da Abav nacional (Associação Brasileira de Agentes de Viagens), Magda Nassar, muitas pessoas deixaram de viajar por causa da pandemia, o que criou uma demanda reprimida.

Com mais pessoas vacinadas, cresce agora a procura por passagens, diárias e pacotes para este segundo semestre, com destaque absoluto para os destinos nacionais.

Rotas aéreas chegam a 90% no fim do ano, diz Abear

Dados das companhias aéreas comprovam o que dizem as agências. A quantidade de passageiros transportados no primeiro semestre deste ano ainda ficou 37,2% abaixo do nível de 2019. Mas já é maior que no mesmo período de 2020.

Passageiros domésticos

  • 1º semestre 2021: 24,1 milhões
  • 1º semestre 2020: 23,7 milhões
  • 1º semestre 2019: 38,4 milhões

A segunda onda da covid provocou uma forte queda neste ano, e ela começou a ser superada em maio. Desde então, o setor vem crescendo mês a mês. Essa tendência deve seguir até o fim do ano e em 2022. Fechamos julho com cerca de 70% da malha aérea de 2019. Para o fim do ano, teremos de 85% a 90% da malha e, no primeiro trimestre de 2022, voltamos ao patamar pré-pandemia.
Eduardo Sanovicz, presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas)

Segundo Sanovicz, o ritmo da vacinação e a intenção de compra de viagens por parte dos brasileiros são os fatores que vão permitir essa volta à normalidade na aviação, desde que não surjam problemas na imunização ou nos protocolos de saúde.

Descontos devem diminuir

Operadores de turismo dizem que as taxas de ocupação nos aviões e nos hotéis ainda exigem que as agências de viagens pratiquem hoje descontos e promoções para manter as vendas. Mas essas oportunidades devem diminuir ao longo dos próximos meses, apontam.

A lei da oferta e procura é absoluta. À medida que hotéis e voos forem sendo ocupados, os preços devem subir.
Magda Nassar

Indicadores da Abear mostram que as taxas mensais de ocupação nos voos domésticos neste ano vêm aumentando desde abril em relação ao mesmo mês de 2020.

Em junho, por exemplo, os aviões decolaram nas rotas domésticas com 81% dos assentos ocupados contra 74% em junho de 2020, e ante 67% de assentos ocupados em março de 2021.

Internacional mergulhado em incertezas

Nas viagens internacionais, o total de pessoas embarcadas do Brasil no primeiro semestre deste ano ainda ficou 90,3% abaixo do que era no período pré-pandemia e 77% menor que em 2020.

Passageiros internacionais

  • 1º semestre 2021: 1,3 milhão
  • 1º semestre 2020: 5,6 milhões
  • 1º semestre 2019: 10,3 milhões

Além disso, a taxa de ocupação dos voos internacionais saindo do Brasil está em 33%, ou seja, aviões decolando com apenas um terço dos lugares ocupados.

Somos hoje a segunda nacionalidade com maior restrição de ingresso no mundo, só perdendo dos sul-africanos. Temos um desafio muito grande pela frente para reconstituir nossa imagem e nossos fluxos de viagens.
Eduardo Sanovicz

Viagens de negócios puxadas por empresas locais

Também as viagens de negócios, adquiridas por executivos e funcionários de empresas, sofrem com essas restrições internacionais porque grandes clientes multinacionais ou globais simplesmente não estão no mercado, diz a Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas).

O que a gente viu foi a demanda das pequenas e médias empresas nacionais que precisam mesmo viajar para não perder o cliente. As grandes multinacionais estão travadas. Mas com o avanço da vacinação a gente já percebe maior prospecção de clientes, cotando preços e buscando datas. Por isso, nossa expectativa é de que a partir de setembro a gente tenha maior demanda nas viagens de negócios.
Gervasio Tanabe, presidente executivo da Abracorp

Setor de eventos no escuro ainda

O setor de eventos segue mergulhado em dúvidas, com vendas hoje praticamente inexistentes, segundo a Abrape (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos).

A entidade diz que em 2020 cerca de 350 mil eventos -entre shows, festas, congressos, rodeios, eventos esportivos e sociais- deixaram de ser realizados, afetando um universo de 560 mil empresas e 3,3 milhões de empregos envolvidos no setor.

2021 é um ano, até o momento, de faturamento zero para a grande maioria das empresas do segmento, que estão com atividades totalmente paralisadas. Só a evolução da imunização pode nos apontar se será possível ainda voltar a fazer eventos em 2021.
Doreni Caramori Júnior, presidente da Abrape
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Recomendação para turismo no fim do ano

Os profissionais de viagens e turismo afirmam que é possível já antecipar a reserva de pacotes ou serviços com datas no fim do ano, para aproveitar descontos que estão sendo oferecidos hoje. Mas os mesmos agentes destacam que os consumidores devem reforçar este ano os cuidados na hora de fechar contrato.

  • Protocolos: Antes de fechar a viagem ou pacote, confira se os fornecedores de transportes, de hospedagem e outros serviços estão seguindo as regras estabelecidas pelos órgãos públicos com relação a distanciamento social, horários de funcionamento e protocolos de higienização.
  • Contratos: Examine com cuidado as condições estabelecidas pelos fornecedores para remarcar ou cancelar viagens, hospedagem, passeios, atrações e outros serviços. O hotel ou operadora de viagem vai devolver algo se o viajante ficar doente? Quais taxas serão cobradas caso a pessoa precise remarcar ou cancelar um voo, um passeio ou uma diária de hotel, por exemplo?

Esse tipo de informação e apoio pode vir de um profissional que tem as informações e que poderá ajudar no roteiro, inclusive explicando como proceder no caso de remarcação ou cancelamento por força maior.
Magda Nassar