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Bolsonaro teme desabastecimento se protesto de caminhoneiros continuar

Do UOL, em São Paulo

09/09/2021 21h48Atualizada em 09/09/2021 22h11

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) citou hoje o risco de desabastecimento caso o protesto de caminhoneiros nas rodovias passe do próximo domingo (12) — data em que, segundo ele, os manifestantes prometeram suspender o movimento. Mesmo assim, Bolsonaro elogiou o ato, que definiu como "fantástico" e um "recado enorme" a todos os Poderes.

"Estive hoje à tarde com umas 12 pessoas, a maioria caminhoneiros", contou o presidente durante sua live semanal. "Falaram que iam manter o movimento até domingo, é um direito deles. Mas vão suspender no domingo, essa é a ideia de muitos deles ali. Eu não influencio nessa área. Fui bem claro: se passar de domingo, segunda [13], terça [14], a gente começa a ter problema seríssimo de abastecimento."

[Desabastecimento] Influencia na economia, aumenta a inflação, se volta contra nós. Contra eles que fizeram o movimento e contra mim também, que sou chefe de Estado. Foi fantástico o que eles fizeram, por livre e espontânea vontade, gastando dinheiro do próprio bolso. Se movimentaram pelo Brasil, deram um recado enorme. E qual o recado? Que todos devemos respeitar a Constituição.
Jair Bolsonaro, durante live

Mais cedo, caminhoneiros que estiveram com Bolsonaro disseram que só vão dispersar os bloqueios nas rodovias se a pauta anti-STF (Supremo Tribunal Federal) avançar, como publicado pela Folha de S.Paulo. Dois deles, que se identificaram como Francisco Dalmora Burgardt ("Chicão caminhoneiro") e Cleomar José Immich ainda negaram que o presidente tenha pedido o fim dos protestos.

Última atualização

Segundo o Ministério da Infraestrutura, ainda há pontos de concentração de caminhoneiros em rodovias federais de dez estados, com pontos isolados em outros quatro. Ao todo, informou, "o número de ocorrências é 11% menor do que o último boletim, com tendência de redução ao longo da noite".

Os dados têm como base dados das 20h30 coletados pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Ainda de acordo com a pasta, a região Sul continua concentrando mais da metade das ocorrências nesta noite. Aglomerações também ainda são registradas nos estados de Rondônia, Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins.

SP não relata problemas

O bloqueio de rodovias por caminhoneiros apoiadores de Bolsonaro não afetou o abastecimento de alimentos e medicamentos na região metropolitana de São Paulo, segundo representantes de associações de supermercados e de farmácias. Os estoques e a logística, segundo disseram, estão normais na região.

A Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), por exemplo, registrou queda na entrada de caminhões trazendo produtos, mas a redução seria provocada mais pelo próprio feriado de 7 de setembro do que pelos bloqueios.

Já segundo o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo), a situação do transporte de medicamentos em todo o país é de normalidade. "Os relatos são de que os caminhões com carga de produtos farmacêuticos transitam sem problemas em rodovias federais de vários estados", informou a entidade em nota enviada mais cedo ao UOL.

A Abras (Associação Brasileira de Supermercados), por sua vez, reforçou que o abastecimento e os preços dos supermercados não devem ser afetados pelos protestos e que "não existe necessidade de antecipação de compras por parte do consumidor".

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