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No sul de Minas, plantar frutas e legumes dá mais dinheiro que café

Produção de morangos na região sul de Minas gera mais rentabilidade que a cafeicultura - CNA
Produção de morangos na região sul de Minas gera mais rentabilidade que a cafeicultura Imagem: CNA

Viviane Taguchi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/11/2021 04h00

Conhecida por sua tradição na cafeicultura e na cultura de batatas, a região do sul de Minas Gerais agora é um polo de horticultura. Próxima à divisa com São Paulo, a região está ganhando, ano a ano, mais áreas de cultivo e, economicamente, é a responsável por gerar mais renda na zona rural. Plantar morangos, salsinhas e abóboras dá mais dinheiro que plantar café, que é uma commodity.

De acordo com as estatísticas do Sistema Safra, elaborado pela Empresa de Assistência Técnica Rural (Emater) de Minas Gerais, no ano passado, na região de Pouso Alegre, com 44 cidades, o Produto Interno Bruto (PIB) gerado pela cafeicultura foi de R$ 489 milhões, e a área de plantio, de 47,2 mil hectares. A horticultura, no mesmo período, gerou um PIB de R$ 1,2 bilhão, e a área cultivada com legumes, frutas e verduras, foi de 13,8 mil hectares.

Para o coordenador regional da Emater/MG, Raul Maria Cassia, vários fatores impulsionaram a horticultura na região sul de Minas Gerais e um deles, é a localização geográfica, privilegiada por ser próxima à Rodovia Fernão Dias, que é uma das mais importantes vias de escoamento da produção nacional.

"Estamos próximos de grandes centros urbanos e consumidores como São Paulo, Campinas, São José dos Campos e Sorocaba. É a região com o maior PIB do Brasil e muito consumidora", afirmou.

Mas, de acordo com Cassia, fatores como o clima de altitude também favorecem a qualidade de frutas, verduras e legumes, em especial no pós-colheita, pois duram mais.

"A partir da colheita, os produtos ganham um período maior de prateleira. A região de altitude é uma câmara fria natural".

Outra vantagem da região, além do relevo montanhoso, é a existência de inúmeras pequenas propriedades rurais. Essas características beneficiam a horticultura, atividade que não precisa de mecanização e exige mão de obra.

"Na região, a reforma agrária ocorreu por herança. As terras das famílias foram divididas entre os filhos, e a agricultura familiar foi ocupando áreas mais montanhosas, de difícil mecanização", disse.

Morangos são mais produtivos que café

Morango plantado na região sul de Minas - Divulgação - Divulgação
Morango plantado na região sul de Minas
Imagem: Divulgação

De acordo com o coordenador da Emater, a necessidade de uma pequena área agrícola ter de sustentar mais pessoas é um estímulo para o cultivo de culturas de ciclo rápido e que gerem maior renda por hectare.

Por isso, na região, o carro chefe é o plantio de morangos. "Cerca de 50% dos custos da plantação de morango recaem sobre a mão de obra e por isso, a atividade, em sua maior parte, é familiar", disse. "O plantio do morango é uma atividade que consegue sustentar uma família a partir de uma pequena área de cultivo".

Hoje, a caixa de morangos, com quatro bandejas, custa em torno de R$ 12. De acordo com Raul Cassia, as lavouras na região têm produtividade que chega a 50 mil quilos de morangos por hectare, e a cultura permite ao agricultor ter uma renda bruta, sem descontar os custos de produção, em torno de R$ 500 mil por hectare.

Já o café, disse ele, tem a produtividade média de 35,6 sacas (60 kg) por hectare, levando em consideração dados da safra 2020, que foi um ano positivo, e com a cotação em torno de R$ 1.200 por saca. "Isso dá um retorno bruto de R$ 45,2 mil por hectare sem tirar o custo", disse.

Renda o ano todo

A diferença na lucratividade é uma das razões para o crescimento da área plantada com morangos na região sul de Minas, que passou de 1.300 hectares em 2016, para 2.500 hectares em 2020.

Em 2021, conforme projeções da Emater, a produção local de morangos deve chegar a 144 mil toneladas. "Outra vantagem do morango é que, com o uso do cultivo semi-hidropônico e de novas variedades, é possível colher o ano todo e, por até três anos, gerando uma renda constante para o produtor, diferentemente da maioria das culturas, que só garantem uma receita em épocas de safra", afirma Raul Cassia.

No sul de Minas, também está crescendo a produção de mandioquinha, salsa e a cultura de vegetais como couve-flor, repolho, brócolis e rabanete. As lavouras de batata e café estão desaparecendo por exigirem investimentos altos em mecanização. "Com a instalação de agroindústrias no Alto Paranaíba, houve uma migração para lá.

"A topografia do sul de Minas, cheia de montanhas, dificulta o uso de máquinas na safra de verão, e também há uma tendência de aumento do consumo de batata pré-pronta", declara Cassia. Dados da Emater/MG indicam que a área cultivada com batatas na região, com 19 mil hectares em 1990, caiu para 7,6 mil hectares em 2021.

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