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Covid deixou 45% dos trabalhadores de favelas sem emprego, mostra FGV

Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro - Getty Images/iStockphoto
Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro Imagem: Getty Images/iStockphoto

Colaboração para o UOL

08/11/2021 22h57Atualizada em 09/11/2021 09h56

Quase metade dos trabalhadores que vivem em favelas, em seis estados brasileiros, ficaram sem trabalho durante a pandemia da covid-19. É o que mostra um estudo feito pelo FGV (Fundação Getulio Vargas) em parceria com a ONG TETO, que também revelou que 46,5% das famílias das regiões carentes de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Paraná e Minas Gerais estão tendo dificuldade para comprar comida e 58% delas deixaram de comprar alimentos habituais de suas rotinas.

A pesquisa ainda revelou que 60% dos trabalhadores recebiam o auxílio emergencial do governo e 56% deles afirmaram que tiveram ajuda de ONGs e entidades afins. Para chegar a esse resultado foram feitas 524 entrevistas quantitativas em 31 comunidades brasileiras, e 56 pesquisas qualitativas com lideranças comunitárias em 2020.

O estudo foi dividido em sete temáticas principais:

  • Infraestrutura precária e acesso à água;
  • Adesão às práticas de isolamento físico/social;
  • Emoções (dimensões de saúde mental e bem-estar subjetivo);
  • Vulnerabilidades (econômicas e sociais);
  • Políticas públicas;
  • Capacidades comunitárias;
  • Solidariedade.

No quesito emoções, analisado pela pesquisa, observou-se que as famílias estão sofrendo perdas emocionais consideráveis por causa da solidão, isolamento e falta de emprego. No item adesão às práticas de isolamento, apenas 9% disseram que evitaram aglomerações e 6% mantiveram os distanciamentos, mas a maioria afirma ter usado máscaras (72%), lavado as mãos (55%) e passado álcool em gel (55%).

Para os entrevistados, os piores motivos para manter o isolamento social foram:

  • Falta de lazer (30%);
  • Falta de trabalho e renda (22,7%);
  • Solidão e depressão (14,7%);
  • Infraestrutura da moradia (5,6%);
  • Fome (2,7%).

Para o pesquisador da FGV Cepesp, Leonardo Bueno, as questões relacionadas à moradia precária e aglomeração urbana foram as principais responsáveis pelo agravamento do quadro de exposição ao vírus dessas pessoas. "Foi difícil para essa população se manter isolada e protegida no auge da crise. As moradias de emergência aliviaram a pressão sobre bem-estar psicológico, mas tiveram pouco efeito sobre medidas de prevenção contra a covid-19", disse em nota.