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Unicef: Pandemia piorou alimentação de crianças em lares com Bolsa Família

89% das famílias beneficiadas pelo antigo Bolsa Família relataram dificuldade para acessar alimentação saudável - iStock
89% das famílias beneficiadas pelo antigo Bolsa Família relataram dificuldade para acessar alimentação saudável Imagem: iStock

Do UOL, em São Paulo

16/12/2021 11h49Atualizada em 16/12/2021 18h50

Das famílias beneficiadas pelo extinto Bolsa Família, atual Auxílio Brasil, 72% afirmam que alguma criança com até 5 anos residente na casa deixou de fazer alguma refeição ou comeu de forma insuficiente por motivos financeiros durante a pandemia de covid-19.

O dado consta na amostragem do estudo "Alimentação na Primeira Infância: conhecimentos, atitudes e práticas de beneficiários do Bolsa Família", realizado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e publicado hoje.

Antes da pandemia, segundo o Unicef, esse índice era de 54% — ou seja: houve um aumento de 18 pontos percentuais no índice, o que mostra um agravamento da situação de insegurança alimentar entre crianças em famílias mais pobres, alvos do Bolsa Família.

A situação é pior nas áreas rurais do Brasil, onde o índice é de 76%, e nas famílias residentes no perímetro da Amazônia Legal, onde chega a 74%. Antes da pandemia, as taxas eram, respectivamente, de 58% e 59% nessas regiões.

A percepção das famílias sobre a qualidade da alimentação das crianças sob tutela delas durante a pandemia do novo coronavírus também mostra uma piora no quadro, apontou o estudo.

Para 52% das famílias, a qualidade da alimentação piorou. Para 35%, continuou igual. Para 11%, melhorou. 3% não souberam responder ao questionamento. A percepção de piora é mais forte nas áreas rurais, onde o índice chega a 55%.

Nas quatro áreas socioeconômicas pesquisadas — Amazônia Legal, Semiárido, capitais, área rural e área urbana —, o acesso econômico foi apontado como a principal causa para a percepção de piora na alimentação das crianças durante a pandemia.

72% das famílias apontaram problemas em relação ao dinheiro como o principal motivo para a percepção de piora — no semiárido, o índice chega a 78%. No total, 89% das famílias relataram viver em condições que dificultam o acesso a uma alimentação saudável.

Um dos motivos apontados para a piora na insegurança alimentar entre as crianças mais pobres é o fato de, durante a pandemia de covid-19, as escolas, que ofereciam refeições saudáveis, balanceadas e periódicas a elas, terem permanecido fechadas.

É preciso investir em políticas de educação alimentar e nutricional para a população, que devem começar pelo incentivo à amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida e pela promoção da alimentação complementar saudável, continuando pela educação nutricional na escola e pela promoção de ambientes escolares saudáveis, protegidos da publicidade e comercialização exacerbada de alimentos ultraprocessados.
Trecho do estudo do Unicef sobre alimentação na primeira infância

"É necessária uma ação urgente que garanta não só a capacidade das famílias de comprar alimentos, mas de tomar as escolhas mais saudáveis para as suas crianças", disse a oficial de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, Stephanie Amaral, em nota à imprensa.

Sobre o estudo

O estudo do fundo das Nações Unidas entrevistou, por telefone, entre 1º de março e 19 de abril de 2021, 1.343 pessoas responsáveis por 1.647 crianças residentes em lares beneficiados pelo Bolsa Família, atual Auxílio Brasil.

Foram entrevistados responsáveis por famílias residentes em 21 estados, nas capitais Manaus, Belém, São Luís, Fortaleza, Recife, Maceió, Salvador, Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo, na Amazônia Legal e no Semiárido.

A Amazônia Legal compreende toda a região Norte, boa parte do Maranhão (com exceção da parte leste do estado) e o Mato Grosso. Já o Semiárido engloba o Agreste e o Sertão da região Nordeste e o extremo norte de Minas Gerais.

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