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Agronegócio

Seca e geadas vão reduzir safra de grãos, como soja, milho e feijão no PR

Viviane Taguchi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/12/2021 04h00

O Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná anunciou nessa semana que a projeção para a safra de verão deve ser 3% menor em relação à safra passada. Isso porque as culturas sentem agora o efeito da seca e de geadas.

Segundo o órgão, no total, a colheita de grãos nessa temporada deve chegar a 22,54 milhões de toneladas, incluindo soja, milho e feijão. No total, a área cultivada com essas culturas no estado deve ocupar 6,24 milhões de hectares.

A safra de verão vai de outubro a março, e as principais culturas que são semeadas neste período sofreram mais com o impacto das estiagens. Segundo Norberto Ortigara, secretário estadual de Agricultura, a seca provocou 12% de queda nas lavouras de soja, 13% nas de milho e 10% nas de feijão.

Segundo Ortigara, o ano de 2021 foi bastante desafiador para os agricultores. "Tivemos uma profunda crise hídrica e geadas severas que provocaram perdas na nossa produção", explicou.

O relatório divulgado na semana passada mostrou a primeira estimativa para a segunda safra de feijão, que deve ter um acréscimo de 2% na área plantada comparativamente à safra passada, com 267,3 mil hectares. E também, para a segunda safra de milho, cuja expectativa sinaliza uma área de 2,56 milhões de hectares.

"A produção de milho pode chegar a 15 milhões de toneladas, se o clima colaborar", disse o chefe do Deral, Salatiel Turra. Esse volume representaria um aumento de 163% ante a produção do ciclo 2020/2021.

Soja

As altas temperaturas e a falta de umidade prejudicam as lavouras em grande parte do estado e foram determinantes para o impacto negativo nas estimativas do Deral.

Inicialmente, esperava-se um volume superior a 21 milhões de toneladas. Com a reavaliação dos técnicos, a projeção passou para 18,4 milhões de toneladas, redução de 12%. Na comparação com o volume colhido no ciclo 2020/2021, a queda é de 7%. A área de plantio está estimada em 5,6 milhões de hectares, a mesma da safra anterior.

A região oeste do Paraná, onde os agricultores costumam plantar mais cedo do que no restante do estado, foi a mais afetada pelas perdas até o momento, com queda de 32% nas estimativas de produção. Outra redução significativa, de 26%, foi registrada na região noroeste.

"Além do clima adverso, essa região está condicionada a características do solo que causam menor conservação da umidade", explicou Marcelo Garrido, economista do Deral.

Também têm quedas nas expectativas de produção a região sudoeste (-22%); e o centro-oeste (-20%). Já no norte do estado, em regiões como Londrina e Maringá, ainda não é possível avaliar sistematicamente as perdas, já que, se ocorrerem chuvas nos próximos dias, as condições das lavouras podem melhorar.

Até novembro, 8% da produção (1,72 milhão de toneladas) estava comercializada pelos agricultores. O índice está abaixo do atingido no mesmo período do ano passado —42% do total estimado para a época, equivalente a 8,71 milhões de toneladas. Na última semana, os produtores receberam, em média, R$ 157,09 pela saca de 60 kg.

Milho e feijão de verão

Assim como a soja, as lavouras de milho da primeira safra também foram afetadas pelas altas temperaturas e falta de chuvas no Paraná. O relatório apontou para a produção de 3,7 milhões de toneladas, 551 mil toneladas a menos do que se esperava inicialmente, já que, em condições normais, o volume poderia chegar a 4,2 milhões de toneladas.

As perdas se concentram em regiões com pouca representatividade na produção, como sudoeste e oeste.

"Como se trata de uma safra pequena, a quebra não tende a ser representativa, até porque a estimativa nacional de produção de milho nesta safra é bastante positiva. Apesar de possíveis perdas, podemos ter recomposição", disse Edmar Gervásio, analista de milho do Deral.

Para o feijão, o Deral apontou que o plantio da primeira está encerrado no Paraná, que é o principal produtor, e 11% da área estimada em 139,5 mil hectares foi colhida até o momento. O volume de produção deve chegar a 247,4 mil toneladas, redução de 10% com relação à estimativa inicial, que era de 275,8 mil toneladas, e de 4% com relação ao volume da safra 2020/2021.

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