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Focinho de boi é como impressão digital e pode dispensar marcação a fogo

Biometria do espelho nasal (focinho) pode substituir marca a fogo e uso de brinco em bovinos - AEN-PR/Divulgação
Biometria do espelho nasal (focinho) pode substituir marca a fogo e uso de brinco em bovinos Imagem: AEN-PR/Divulgação

Viviane Taguchi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/12/2021 04h00

Marca de fogo e brincos são formas de identificar bovinos em meio ao rebanho. Cada animal tem o seu número e, com ele, é possível saber quem são seus pais, as vacinas tomadas, se teve ou tem alguma doença e que tipo de alimentação (e quantidade) o animal recebe.

Agora, para evitar que os bovinos passem pela marca de fogo (técnica que faz o bicho sofrer, com queimaduras na pele) e o brinco, que exige o furo da orelha, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) está estudando o nariz dos animais para identificá-los.

O padrão biométrico do espelho nasal dos animais, o focinho, segundo os pesquisadores, é como uma impressão digital nos humanos, com informações individuais e, a partir de tecnologias como inteligência artificial e algoritmos, pode substituir técnicas ultrapassadas de identificação, proporcionando bem-estar animal, conceito cada vez mais exigido na pecuária.

João Aril Hill, pesquisador do Iapar, está conduzindo a análise em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Lucas Nolasco, engenheiro da computação, diz que o sistema é mais seguro que as duas formas já utilizadas.

"Não é preciso marcar os animais na cara, com o ferro quente, e o novo método também é mais eficaz e confiável que o brinco, fixado na orelha, pois não há risco de perda e não pode ser trocado", disse.

Segundo Nolasco, o procedimento consiste em capturar uma imagem do nariz do boi e, depois, essa fotografia é analisada por redes neurais e algoritmos, que vão buscar os padrões e auxiliar na identificação. "Obtivemos taxas de acerto superiores a 95% nos testes, o que nos deixou animados", disse.

Hill explicou que a identificação foi baseada em um banco de dados das raças purunã, jersey e holandês do rebanho do Iapar nas cidades de Curitiba, Ponta Grossa e Pato Branco, no Paraná. "Temos em torno de 700 animais na nossa base de dados e queremos chegar a mil em breve."

Ele diz que é fundamental ampliar a base de dados, assim como melhorar a inteligência artificial, para que o sistema computacional seja mais preciso na identificação. "Estamos tentando, por exemplo, ensinar o sistema a identificar os animais a partir de uma única imagem do espelho nasal. Atualmente, são 40 imagens em momentos diferentes do mesmo bovino", explicou.

Segundo o pesquisador, o sistema, que ainda está sendo testado apenas no rebanho do Iapar, precisa ser leve e rápido para que funcione em um dispositivo móvel, como um smartphone.

"O sistema de identificação pode ser usado em diversas circunstâncias: pelo produtor rural e associações de raça que precisam identificar um a um os animais do plantel, o que é bastante trabalhoso dependendo do tamanho do rebanho", afirmou.

Ainda de acordo com ele, órgãos governamentais como a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) poderiam se basear no novo método para identificar animais vacinados ou que apresentam doenças.

"Sem contar que hoje em dia a comercialização de bovinos ou de produtos de origem bovina busca ampliar a rastreabilidade, e para isso, a identificação dos animais é indispensável", declarou.

Nolasco diz que a ferramenta não é um aplicativo, e os resultados preliminares foram apresentados durante o Programa de Iniciação Científica (ProICI) do Iapar, que reúne trabalhos de estudantes de graduação orientados por pesquisadores do instituto.

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