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Plano de Lula vai mirar economia popular, e não Faria Lima, diz Mercadante

Henrique Santiago

Do UOL, em São Paulo

14/01/2022 15h43Atualizada em 14/01/2022 20h22

O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante disse nesta sexta-feira (14) que o futuro plano de governo do PT para as eleições presidenciais deste ano será dedicado à economia popular. Ele também criticou o debate politico focado apenas na "agenda da Faria Lima", referência à região paulistana onde se concentram empresas do mercado financeiro.

As declarações ocorreram após um encontro de petistas na Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, em São Paulo. Além de Mercadante, que preside a entidade, participaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, economistas ligados ao partido e nomes como Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, e Tereza Campello, ex-ministra de Desenvolvimento Social.

A única agenda que parece interessar uma parte do debate político é a agenda da Faria Lima. Existe outra agenda: são 19 milhões de pessoas passando fome, 32 milhões de pessoas na economia informal, inflação arrebentando o custo de vida das pessoas, os reajustes salariais muito abaixo da inflação. Não era assim no nosso governo.
Aloizio Mercadante, ex-ministro da Educação

Na mesma linha, Gleisi criticou "a agenda da Faria Lima" e afirmou que o plano de governo petista terá como prioridade a garantia de renda e emprego para a população mais pobre.

Nosso foco é a economia popular. Ou seja, como tirar as pessoas da vida triste que estão vivendo. E não é para responder ao mercado brasileiro. Aliás, achamos que está na hora de o mercado dizer o que vai fazer pelo Brasil e pelo povo brasileiro.
Gleisi Hoffmann, presidente do PT

Grupo diz que não fala em nome de Lula

O núcleo da Fundação Perseu Abramo, composto por 83 economistas (menos da metade participou do debate de hoje), discute propostas e analisa o cenário político em 2022. Seus representantes afirmam que não falam em nome de Lula ou do PT. O ex-presidente ainda não oficializou sua candidatura.

O grupo de economistas também avalia propostas para enfrentar a inflação e evitar a privatização de estatais, a exemplo da Eletrobras, cuja venda está nos planos do governo Jair Bolsonaro (PL).

Revisão da reforma trabalhista

Nos últimas dias, o ex-presidente Lula chamou a atenção de aliados políticos e do seu possível candidato a vice, Geraldo Alckmin (sem partido), ao falar sobre rever a reforma trabalhista, aprovada em 2017, no governo Michel Temer.

Mercadante disse que alguns pontos da reforma precisam ser avaliados, como a criação do contrato de trabalho intermitente e o trabalho temporário, a fim de fortalecer os direitos trabalhistas. Ele também afirmou que os economistas do partido votam em "unanimidade" contra o teto de gastos, também aprovado no governo Temer, que congelou os gastos públicos. No ano passado, o governo Jair Bolsonaro (PL) aprovou mudanças que, na prática, furam o teto de gastos.

"A elite brasileira até tentou incluir na reforma do Temer a abolição da Lei Áurea, mas não passou", ironizou Mercadante.

Ainda de acordo com o ex-ministro, a equipe de Lula tem interesse em reconhecer os direitos trabalhistas de entregadores de aplicativos no Brasil, como foi feito na Espanha, país que desponta como referência para o PT nessas questões.

"O tema da reforma não é só resgatar direitos perdidos, mas elaborar respostas a um tema novo e desafiador, que são os trabalhadores de aplicativo. Poucas experiências no mundo avançaram em relação a essa agenda", disse.

Segundo Mercadante, dois integrantes do núcleo econômico que assessora Lula irão à Espanha para estudar propostas para os trabalhadores de app.

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