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Guedes elogia FMI, e âncora lembra que escritório será fechado no Brasil

Moderador do debate afirmou que posição do ministro da Economia brasileiro não é unânime entre especialistas - Antonio Molina/Folhapress
Moderador do debate afirmou que posição do ministro da Economia brasileiro não é unânime entre especialistas Imagem: Antonio Molina/Folhapress

Do UOL*, em São Paulo

21/01/2022 11h10

O ministro da Economia, Paulo Guedes, elogiou hoje a fala da diretora do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, durante um painel virtual do Fórum Econômico Mundial. O moderador do debate, Geoff Cutmore, âncora da rede de televisão norte-americana CNBC, destacou a declaração, dizendo que pareceu uma oferta de paz no momento que o FMI se prepara para fechar o escritório no Brasil.

"Parece que você estendeu um ramo de oliveira [símbolo de paz] para a diretora do FMI, já que, ao meu entender, eles irão fechar o escritório no Brasil no meio do ano", disse Cutmore.

Georgieva interviu e disse amar o país. "Nós nos amamos", repetiu ela, fazendo um coração com as mãos.

Diretora do FMI, Kristalina Georgieva disse amar o ministro da Economia Paulo Guedes durante painel do Fórum Econômico Mundial - Reprodução/CNBC - Reprodução/CNBC
Diretora do FMI, Kristalina Georgieva disse amar o ministro da Economia Paulo Guedes durante painel do Fórum Econômico Mundial
Imagem: Reprodução/CNBC

Guedes concordou com a fala da diretora, que analisou que, enquanto no ano passado, os países estavam agindo em conjunto para se recuperarem da crise causada pela pandemia, neste ano, as medidas econômicas serão diferentes e específicas para cada nação.

Em dezembro do ano passado, o FMI comunicou que fechará o escritório em Brasília até o final de junho deste ano, quando termina o prazo da atual representação. O anúncio aconteceu depois de Guedes criticar o órgão pelas previsões pessimistas para a economia nacional. O FMI tem representação no país há 23 anos.

Também participam do evento a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, o presidente do Banco do Japão, Kuroda Haruhiko, e Sri Mulyani Indrawati, ministra das Finanças da Indonésia. Guedes foi o último a falar no evento.

'Inflação será problema sério para mundo ocidental'

Guedes também disse acreditar que a alta da inflação em todo o mundo não será transitória, mas algo que irá permanecer por um tempo e se tornar um "problema sério" para o mundo ocidental.

"Não acho que a inflação será transitória, de modo algum", afirmou. "Os Bancos Centrais estão dormindo ao volante, eles deveriam ficar alertas. Acho que a inflação será um problema sério, um problema real, para o mundo ocidental. No Brasil, porque temos experiências trágicas recentes com a inflação, estamos nos movendo mais rápido".

A fala também foi comentada pelo moderador do painel, Geoff Cutmore, que afirmou que a posição de Guedes sobre a inflação não é unânime entre os especialistas.

No ano passado, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) fechou a 10,06%, maior índice desde 2015 e muito acima da meta estabelecida pelo Banco Central, que poderia variar entre 2,25% a 5,25%.

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC vem elevando a Selic desde março de 2021 para tentar conter a inflação. Durante o ano, a taxa básica de juros passou de 2% a 9,25%, com previsão de continuar subindo.

Apesar do prognóstico, Guedes acredita que o Brasil está bem equipado para lidar com a crise e com a pandemia da covid-19.

"O Brasil é o único país que está de volta exatamente onde estava antes da crise", declarou. "Temos espaço fiscal e monetário para reagir caso venha uma terceira ou quarta onda [da covid-19]".

A economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, fez um levantamento da inflação no mundo com os dados da plataforma CEIC Data, em que o Brasil ficou com o terceiro índice mais alto. Ela reconhece o caráter global da alta de preços, com o aumento de commodities (produtos básicos como alimentos, petróleo e minério) e o choque de custos no atacado, em parte explicado pelos problemas na cadeia de suprimentos, espalhando-se para o varejo. Mas argumenta que os sinais de problema vieram antes no Brasil. Enquanto os preços no atacado começaram a subir no mundo em 2021, no País, o salto já era claro no segundo semestre de 2020, turbinado pela alta atípica de dólar e commodities.

Para os economistas do Bradesco, a inflação ao consumidor deve perder força no mundo, mas continuará acima do ritmo de alta dos preços de antes da pandemia, mantendo assim sob pressão os bancos centrais de países emergentes.

*Com informações do Estadão Conteúdo