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Dólar opera em queda, abaixo dos R$ 4,90; Bolsa cai

Getty Images via BBC
Imagem: Getty Images via BBC

Do UOL*, em São Paulo

24/03/2022 09h19Atualizada em 24/03/2022 12h12

Vindo de seis baixas seguidas, o dólar comercial mantinha a tendência nas operações da manhã de hoje (24). Por volta das 12h05 (de Brasília), a moeda norte-americana caía 0,91%, negociada a R$ 4,800. O mercado brasileiro aproveita a entrada contínua de recursos em meio ao patamar atraente dos juros básicos e à disparada nos preços das commodities.

Mais cedo, a moeda chegou a ser negociada a R$ 4,677, caindo mais de 1%.

Também às 12h05 a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, apresentava alta de 0,42%. O Ibovespa vinha sendo puxado para cima principalmente pelo setor financeiro. A maior alta era do Banco Inter (BIDI11), que subia 8,21%. Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil também cresciam mais de 1%.

Ontem (23) o dólar comercial caiu 1,45% e fechou vendido a R$ 4,844, menor valor desde março de 2020.

No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) operava em queda de 0,16%, aos 117.269,51 pontos. Na véspera, o índice teve alta de 0,16%, fechando a 117.457,344 pontos.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Maior sequência de quedas para o dólar

Com o desempenho desta quarta, o dólar ficava a caminho de marcar o sétimo pregão seguido de perdas, o que configuraria sua maior sequência de desvalorizações diárias desde uma série de mesma duração que terminou em 22 de abril de 2021.

Segundo Bruno Mori, planejador financeiro da Planejar, a baixa dos últimos dias é apenas continuação de um movimento observado desde o início do ano, com a moeda norte-americana acumulando queda de mais de 13% em 2022. "O fluxo de investimentos estrangeiros para ativos financeiros brasileiros está muito forte, em primeiro lugar porque a taxa de juros está muito mais alta do que no exterior", explicou ele.

A taxa Selic começou a subir há um ano, saindo de uma mínima histórica de 2% para o patamar atual de 11,75%. O Banco Central indicou na ata de sua última reunião de política monetária e em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado mais cedo, que promoverá mais um ajuste de 1 ponto percentual nos juros em maio, a 12,75%.

Dessa forma, o Brasil oferece a investidores em renda fixa retornos extremamente atraentes, principalmente quando comparados aos rendimentos de economias avançadas, como os Estados Unidos, que estão apenas começando a normalizar sua política monetária. Na semana passada, o Federal Reserve elevou seus juros em 0,25 ponto percentual, ante patamar próximo de zero.

Nesse contexto, gestores de fundos "acabam entendendo o Brasil como uma alternativa acessível, barata e com um risco que, por enquanto, vale a pena", afirmou Mori, acrescentando que o fluxo de recursos para os ativos domésticos "está aproveitando que a turbulência das eleições presidenciais ainda não começou".

Participantes do mercado também têm apontado a valorização de várias commodities desde o início da guerra na Ucrânia como fator de impulso para o real e outras divisas latino-americanas —como pesos chileno e colombiano e sol peruano. Isso porque são moedas de países exportadores de uma região vista como menos vulnerável às tensões geopolíticas.

Nesse contexto, Mori disse que é difícil enxergar um piso próximo para a desvalorização do dólar, mas disse ver os 4,50 reais como forte ponto de suporte para a moeda.

Ele não descartou, no entanto, a possibilidade de haver eventuais ajustes para cima no preço da moeda. "Movimentos muito rápidos de queda tendem a ser corrigidos com algumas altas posteriores em alguns dias."

*Com Reuters

Este conteúdo foi gerado pelo sistema de produção automatizada de notícias do UOL e revisado pela redação antes de ser publicado.

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