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Dólar dispara 3% e encosta em R$ 5,05; Bolsa opera em queda de quase 4%

Getty Images
Imagem: Getty Images

Do UOL*, em São Paulo

05/05/2022 09h17Atualizada em 05/05/2022 12h52

A Bolsa despencava quase 4% nesta quinta-feira (5), e o dólar disparava 3%, encostando em R$ 5,05, um dia após o aumento dos juros nos Estados Unidos e aqui no Brasil. Por volta das 12h30, o dólar comercial operava em alta de 2,84%, a R$ 5,043 na venda, e o Ibovespa caía 3,54%, aos 104.512,02 pontos.

Ontem (4) o dólar fechou com desvalorização de 1,21%, a R$ 4,904, e o índice subiu 1,7%, a 108.343,742 pontos.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Aumentos dos juros nos Estados Unidos...

O salto do dólar acompanha movimento da moeda no exterior, conforme investidores digeriam a recente sinalização do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) sobre juros.

O índice do dólar contra uma cesta de moedas subia 0,75% pela manhã, negociado pouco abaixo de seus maiores níveis em 20 anos.

Ontem, após o Fed subir os juros em 0,5 ponto percentual, o presidente do banco, Jerome Powell, afirmou que o Fed não considera intensificar ainda mais a alta dos juros em suas próximas reuniões, para 0,75 ponto percentual, como temiam alguns agentes financeiros.

"A confirmação desse 'não aumento' de 0,75 ponto percentual fez os mercados reagirem muito bem" na quarta, disse à Reuters Kaue Franklin, especialista de renda variável da Aplix. "Essa alta de hoje é mais uma equalização por conta da distorção que aconteceu ontem."

Juros mais altos tendem a atrair para os EUA recursos hoje investidos em outros países, principalmente emergentes, como o Brasil. Com menos dólares aqui, a cotação da moeda sobe.

... e no Brasil

Depois de subir os juros básicos na véspera para 12,75%, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central do Brasil disse ser provável uma extensão do ciclo de alta dos juros com aumento menor na próxima reunião, em junho, sem especificar se esse seria o último aumento da taxa.

O comunicado foi visto por alguns participantes do mercado como menos duro do que o necessário em meio à inflação elevada, mas "não esperamos que a decisão do Copom afete negativamente o real, uma vez que os diferenciais de carrego (em relação ao dólar) são altos o suficiente".

No geral, mesmo com a queda do real, o cenário doméstico continua positivo para o real, afirmou Franklin, chamando a atenção para o patamar elevado da taxa Selic, que tende a atrair recursos para a renda fixa brasileira.

"Não tem como uma alta tão acentuada no índice do dólar não impactar o real, mesmo que o ambiente local tivesse que fazer o dólar cair", afirmou.

Franklin disse enxergar potencial de desvalorização do dólar para faixas em torno de R$ 4,40 a R$ 4,30 —embora não no curtíssimo prazo—, citando continuação da tendência de queda observada no início deste ano. Entre janeiro e março, a moeda norte-americana caiu 14,5% frente ao real, maior queda trimestral desde meados de 2009. No ano, o dólar acumula queda de mais de 10%.

Pelo lado dos riscos, outros fatores poderiam minar a disparada do real até agora no ano, como a aproximação das eleições presidenciais e temores sobre a saúde fiscal do Brasil, disse Franklin, embora afirme que qualquer valorização acentuada do dólar —se acontecer— deva ficar limitada à faixa de R$ 5,15 e R$ 5,17.

*Com Reuters

Este conteúdo foi gerado pelo sistema de produção automatizada de notícias do UOL e revisado pela redação antes de ser publicado.

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