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Delegados da PF protestam com bolo: 'Bolsonaro, compromisso não se corta'

Do UOL, em São Paulo

12/05/2022 12h56Atualizada em 13/05/2022 11h08

Policiais federais realizaram na manhã de hoje a segunda rodada de manifestações para cobrar a promessa de reestruturação e aumento salarial feita pelo governo Jair Bolsonaro (PL) no ano passado. O governo chegou a reservar R$ 1,7 bilhão do Orçamento para cumprir as demandas.

Em vídeo divulgado hoje para protestar contra o governo, policiais federais cortam um bolo com a palavra "compromisso". Uma mulher diz: "Presidente Bolsonaro, compromisso se cumpre. Não se corta dessa forma".

Ao fundo, um homem repete: "Vergonhoso".

12.mai.22 - Policiais federais fazem protesto após Bolsonaro descumprir acordo de aumento salarial - Divulgação - Divulgação
12.mai.22 - Policiais federais protestam em São Paulo após Bolsonaro descumprir acordo de aumento salarial
Imagem: Divulgação

Segundo a Fenapef (Federação Nacional dos Policias Federais), que representa 85% do efetivo policial federal, a mobilização nacional coloca em evidência "a indignação da categoria com a inércia e os recursos do governo em relação à reestruturação da carreira".

A tensão entre os policiais e governo tem aumentado nas últimas semanas desde o anúncio de aumento salarial de 5% para todo o funcionalismo público federal. Em reunião com o ministro Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública), o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Marcus Firme, disse que a proposta não atende às demandas dos profissionais de segurança pública da União.

Internamente, o governo tem estudado aproveitar o espaço de R$ 1,7 bilhão que existe no Orçamento para contemplar só as carreiras policiais e as demandas dos servidores da Receita Federal e do Banco Central.

Outra proposta, rejeitada pelos sindicatos, é de dar reajuste só no vale-alimentação com o R$ 1,7 bilhão previsto no Orçamento de 2020. Segundo integrantes do governo, essa medida beneficiaria um número maior de servidores que ganham menos.

Delegados da PF citam 'desrespeito' de Bolsonaro

A ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) aprovou, em assembleia realizada na semana passada, paralisações para pressionar o governo a promover a reestruturação das carreiras da corporação. Em nota, a associação cita "desrespeitoso" tratamento dado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) à categoria.

A queda de braço entre os delegados da PF e o governo ocorre após Bolsonaro garantir, em janeiro, que daria um aumento aos policiais federais, agentes penitenciários e rodoviários federais. O governo, porém, recuou e anunciou o reajuste de 5% aos servidores públicos.

A classe se sentiu traída, pois esperava o uso de R$ 1,7 bilhão do orçamento para uma reestruturação da carreira, o que concederia um reajuste maior e outras benesses para os policiais.

Segundo a entidade, a desvalorização dos policiais federais implica no enfraquecimento do combate à corrupção e ao crime organizado.

"É importante destacar que a segurança pública foi a maior bandeira de campanha do governo Bolsonaro e o destacado trabalho das forças de segurança vem sendo utilizado, indevidamente, pelo presidente como instrumento de marketing para a sua reeleição. Os policiais federais merecem respeito", diz ainda o comunicado.