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Oliveiras são cultivadas ao som de música clássica em MG: 'Intuição'

Do UOL, em São Paulo

29/06/2022 04h00Atualizada em 29/06/2022 10h02

Uma advogada decidiu cultivar as próprias oliveiras de uma maneira inusitada: tocando música clássica para elas. Rosana Chiavassa começou no ramo das azeitonas em 2019 e já conquistou prêmios internacionais pelos azeites produzidos na fazenda que, diariamente, é embalada por acordes de Bach, Mozart, Vivaldi e tantos outros compositores.

Em entrevista ao UOL, Rosana afirma que o cultivo das azeitonas começou como um hobby - que acabou dando muito certo. "O mais perto que eu conhecia, até então, do mundo agro eram hotéis-fazenda e visitas a sítio de amigos. Em 2018, fiquei um ano convivendo com um olival em Minas Gerais, ajudando a cuidar. Depois fui abençoada por encontrar outro com oliveiras de 14 e 15 anos, em idade já produtiva", disse ela.

Rosana então resolveu colocar a mão na massa — ou melhor, nas oliveiras — para recuperar a produção que tinha sido abandonada pelo antigo proprietário. "Elas estavam tão danificadas... Talvez por falta de interesse ou desânimo do antigo proprietário. Cuidar de oliveiras é trabalhoso, custoso".

A ideia de cultivar as oliveiras com música clássica veio de um interesse pessoal e foi implementada em fevereiro de 2020. A advogada, que atualmente divide seu tempo entre São Paulo e Minas Gerais, afirma que ouve música o dia inteiro. "Eu intuí. A música faz bem para mim e pensei que também deve fazer para todos os outros seres. Então começamos a cultivá-las com música clássica porque achei que ajudaria na recuperação."

A escolha do gênero se deu também por intuição. "Eu escuto música no estilo pop mais antigo, soul, músicas com vibração mais harmônica. Então pensei que as músicas que as plantas recebessem também tinham que ser harmoniosas."

Ao todo, foram instaladas 60 caixas de som ao redor das oliveiras e a música toca das 6h às 18h. "Eu acho que deixar o dia inteiro também é demais. Tenho respeito pelos vizinhos e pelos animais próximos da fazenda", explica ela, que também cultiva outro olival sem música, já que, na área, ela trabalha com pedras, item que ela acredita não harmonizar com as vibrações sonoras.

Para a advogada, não restam dúvidas que a música traz benefícios para o cultivo das plantas: em 2020, ela conseguiu realizar duas colheitas de azeitonas. "Geralmente a colheita ocorre apenas uma vez ao ano. Em 2020, houve muita seca, o que antecipou, mas eu consegui colher em novembro e meus vizinhos colheram só em janeiro", explica.

A advogada agora conta com um musicoterapeuta para realizar um plano de quatro estações pensando no bem-estar das oliveiras. "É um programa de música clássica de forma organizada, para acompanhar todas as etapas", diz ela.

Apesar do hobby estar rendendo bons frutos, Rosana afirma que não tem intenção de deixar a advocacia, ainda que já tenha realizado duas especializações em ciências agrárias para melhorar o cultivo.

Atendo clientes no meio do olival e administro coisas do azeite no escritório. A advocacia é o meu amor, minha paixão e a olivicultura foi um hobby que deu muito certo. É uma vida muito corrida, mas vale a pena.