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Com dívida bilionária, Ricardo Eletro tem falência decretada pela Justiça

Loja da Ricardo Eletro - Divulgação
Loja da Ricardo Eletro Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

05/07/2022 18h16Atualizada em 05/07/2022 19h06

O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) voltou a decretar a falência da Máquinas de Venda Brasil, dona da marca Ricardo Eletro, menos de um mês depois de reverter a primeira decisão judicial. A nova decisão consta em despacho da 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial de São Paulo.

A dívida do negócio é bilionária, e somente o Itaú, o Bradesco e o Santander concentram mais de R$ 2 bilhões em títulos (debêntures). A companhia —que está em recuperação judicial desde agosto de 2020— possui, ao todo, mais de 17 mil credores.

Em nota enviada ao UOL, o presidente do Grupo Máquina de Vendas, Pedro Bianchi, revelou surpresa com a nova decisão da Justiça e disse que nenhum dos credores pediu a falência, com exceção das três instituições financeiras. A companhia afirmou ainda que irá apresentar e adotar as medidas cabíveis para reverter novamente a falência. (Leia o comunicado, na íntegra, abaixo)

Respeitado o entendimento exarado pelo Tribunal, o Grupo Máquina de Vendas, que irá apresentar e adotar as medidas cabíveis, se posiciona no sentido de absoluta discordância com referida decisão, uma vez que não parece, na visão estrita das empresas, que os interesses individuais de 3 instituições financeiras (de dívidas originalmente feitas há mais de 7 anos), sejam tidos como absolutos em detrimento de mais de 17 mil outros credores. Além disso, a administração do Grupo Máquina de Vendas não vislumbra como uma falência poderia atender os interesses dos credores, já que nenhum credor entre os 17.000, com exceção dos três bancos, requereu a falência das empresas. Grupo Máquina de Vendas, em comunicado

No processo que executou a falência da varejista, em junho, o juiz definiu que a Máquina de Vendas não tem mais viabilidade econômica e que houve um esvaziamento patrimonial da operação, especialmente após o fechamento das lojas durante o período de pandemia.

A empresa já foi uma gigante do varejo, com mais de 1.200 lojas, faturamento de R$ 9,5 bilhões e 28 mil funcionários. Fundada pelo empresário Ricardo Nunes, em 1989, a companhia enfrentou uma série de dificuldades financeiras a partir de 2015, e Nunes foi acusado de sonegação de impostos.

A Ricardo Eletro hoje tem apenas um e-commerce, mas com poucos produtos disponíveis. Existem várias categorias no site, mas muitas delas não têm nenhum item à venda. É o caso de eletrodomésticos, que era o produto principal da companhia. Todas as lojas físicas foram fechadas em 2020.

Leia nota do Grupo Máquina de Vendas na íntegra

O Grupo Máquina de Vendas, detentora da marca Ricardo Eletro, em recuperação judicial desde agosto/20, vem informar que foi novamente surpreendido com acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo que, no âmbito dos recursos apresentados pelos credores denominados debenturistas (Oliveira Trust S.A., defendendo Banco Bradesco S.A., Banco Itaú S.A. e Banco Santander (Brasil) S.A.) decretou a falência das empresas do Grupo Máquina de Vendas.

Tal decisão foi fundamentada na anulação de cláusula prevista no Plano de Recuperação Judicial do Grupo, aprovado por 75% dos credores no cenário em que não contabilizados os votos de referidos credores que, sob a égide do art. 45 da Lei 11.101/2005, previu que as condições de pagamento originárias dos títulos de créditos seriam mantidas e, consequentemente, tais credores estariam excluídos dos efeitos da recuperação judicial.

Respeitado o entendimento exarado pelo Tribunal, o Grupo Máquina de Vendas, que irá apresentar e adotar as medidas cabíveis, se posiciona no sentido de absoluta discordância com referida decisão, uma vez que não parece, na visão estrita das empresas, que os interesses individuais de 3 instituições financeiras (de dívidas originalmente feitas há mais de 7 anos), sejam tidos como absolutos em detrimento de mais de 17 mil outros credores. Além disso, a administração do Grupo Máquina de Vendas não vislumbra como uma falência poderia atender os interesses dos credores, já que nenhum credor entre os 17.000, com exceção dos três bancos, requereu a falência das empresas.

Vale pontuar, nesse contexto, que mesmo com todas as adversidades enfrentadas pelo cenário econômico e instabilidade do varejo em perspectiva nacional, atingindo até mesmo grandes e renomadas empresas, o Grupo Máquina de Vendas vem apresentando significativa melhora operacional, com 100% de entregas das novas compras efetuadas pelos seus consumidores dentro do prazo, inclusive com a grande maioria entregue antes mesmo de seu prazo, entregando para todas as regiões do Brasil, com transportadoras de primeira linha, checagem do pedido em tempo real, SAC digital, atendimento rápido e humanizado pelo canal do WhatsApp, diversos modelos de pagamento disponibilizados aos consumidores, lojas de representantes e as mais modernas ferramentas de e-commerce do mercado e tudo mais para melhorar ao máximo a experiência do nosso consumidor. Há mais de 3.784 itens individuais disponíveis no site, com mais 27.000 itens contratados e que estariam à disposição dos consumidores nas próximas semanas.

O Grupo Máquina de Vendas teve também a coragem de mudar nossa marca depois de 30 anos, para modernizá-la e demonstrar para o consumidor nosso novo momento e afastar o negócio de fatos passados.

Mesmo com tal instabilidade jurídica, o Grupo Máquina de Vendas, e os membros de sua administração direta, confiam e esperam que tal decisão seja rapidamente revertida e que possa ser permitida a manutenção das atividades operacionais que, no entendimento da companhia, somado com os mais de 75% dos credores (com exceção dos credores debenturistas) que apoiaram e acreditaram na viabilidade econômica do Grupo Máquina de Vendas, é medida que deve prevalecer. Não se nega que ainda há muitas outras frentes de batalha, seja dentro e fora do processo de recuperação judicial, mas o time da Ricardo Eletro continua focado em estabilizar sua retomada, e consequentemente honrar o pagamento com seus credores. Não é uma batalha fácil, mas temos certeza de que com o auxílio do melhor e mais dedicado time de colaboradores do Brasil e com o modelo novo de negócios, será um sucesso. É uma trilha longa, mas que vale à pena ser recorrida.

O Grupo Máquina de Vendas, e seus administradores, continuarão a colaborar com a justiça, tal como feito até o momento, prestando todos os esclarecimentos e apresentar todos os documentos necessários.

Seguimos confiantes no futuro.

Pedro Bianchi
Presidente