Conteúdo publicado há 10 meses

123milhas diz ao governo que 'não tem condições' de pagar clientes agora

Os sócios da 123milhas disseram ao governo federal durante reunião que a empresa "não tem condições" de pagar os clientes agora. A informação foi dada pelo secretário nacional de Defesa do Consumidor, Wadih Damous, na noite desta sexta-feira (1º).

O que aconteceu:

O secretário afirmou que os sócios Ramiro Júlio Soares Madureira e Augusto Júlio Soares Madureira se comprometeram a apresentar um plano de ressarcimento aos clientes. Os executivos participaram de uma reunião hoje no Ministério da Justiça. "Eles dizem que se for para pagar agora não tem condição, por isso, querem apresentar um plano de ressarcimento, o mesmo plano que vão apresentar à juíza da recuperação judicial", declarou.

Tudo o que foi comercializado antes da recuperação judicial será parte do plano de ressarcimento, segundo informou o secretário. Representantes do Ministério Público Federal também acompanharam a reunião.

Tudo aquilo que foi comercializado antes do pedido de recuperação judicial vai ser objeto da elaboração de um plano de ressarcimento, de pagamento. Como é que vai ser? Vai ser com voucher, vai ser com dinheiro? Que critérios vão ser usados? Critérios cronológicos, critérios de urgência da viagem? Por exemplo, se alguém comprou uma passagem porque tem que se submeter a uma cirurgia em uma outra cidade, eles garantiram que isso aí vai ter um atendimento imediato. Agora, não, 'são passagens para turismo'. Isto vai ser organizado na base de um acordo que eles vão tratar conosco. Conosco e com o juiz da recuperação judicial.
Wadih Damous, secretário nacional de Defesa do Consumidor

Ele afirmou ainda que o objetivo da reunião de hoje foi entender o negócio da empresa e ouvir explicações do que deu errado. "Eles citaram questões de crédito, questões com banco, falta de previsão e o alto preço das passagens. Explicaram que havia um mecanismo de que as passagens compradas com uma determinada antecedência, o preço diminuía, e depois passou a não diminuir".

A empresa não apresentou ao governo quantas pessoas foram lesadas. "Não dizem o número, nem informalmente".

O secretário destacou que a empresa vai continuar operando e vendendo passagens aéreas, com exceção da linha conhecida como "promo". "Eles alegaram que precisam comercializar e continuar em operação para não quebrarem porque se a empresa for à falência perde todo mundo. Perdem eles, perdem os consumidores. Então, eles enfatizaram é que para esses contratos pós-pedido de recuperação judicial, que não envolvem esses pacotes flexíveis, que esses são os complicados, isso aí não haverá problema".

Damous também disse agendou uma nova reunião para o dia 14 de setembro, às 14h. O objetivo é que, no novo encontro, a empresa apresente documentos que afaste qualquer possibilidade de má-fé.

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