'Vi que não conseguiria resolver dívida de R$ 100 mil sozinho', diz gerente

C., de 30 anos, é morador de Macapá (AP) e gerente comercial, e começou a se endividar há dois anos para ajudar a família. "Na época eu tinha cartão de crédito, cheque especial e fui usando todas essas opções para ajudar minha família. Gastei mais do que eu tinha e em 2022 me encontrei totalmente endividado", conta.

Segundo C., a dívida passou de R$ 100 mil. "Foi aí que eu vi que não ia conseguir resolver o problema em que me meti e me indicaram uma consultoria financeira."

O trabalho de um consultor financeiro não é só ajudar o cliente a limpar o nome, diz ele. É também mudar a forma que a pessoa lida com o dinheiro para que novas dívidas não aconteçam.

"Desde o começo, o interesse da consultora era entender o motivo disso estar acontecendo. O que eu poderia mudar? Quais comportamentos eram prejudiciais? Entendi que a dívida que adquiri não era somente por esses gastos com a família, mas também com muitas coisas desnecessárias. Precisávamos fechar essa torneira.", relata o gerente comercial.

O paraense aprendeu a fazer planilha de gastos e a entender para onde ia o dinheiro. De lá pra cá, já pagou mais de 50% da dívida. "A meta é pagar tudo até o final de 2024."

Ele não é o único. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 77,8% da população está endividada. O número de inadimplentes é de 29,5% dos brasileiros, sendo o maior desde 2010.

Psicóloga precisou de ajuda para mudar mentalidade

Para muitos, procurar ajuda de um consultor ou especialista é essencial para sair do buraco de dívidas.

Oferta de crédito foi início das dívidas para E., 30 anos, psicóloga e moradora de João Pessoa (PB). Ela começou a se endividar na faculdade, ao receber uma oferta de cartão estudantil de um banco, mesmo não tendo trabalho. "Essa foi a primeira vez que tive contato com as finanças e me atrapalhei, porque não entendia muito bem sobre crédito e juros.", conta.

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Sua primeira grande dívida foi após entrar no mercado de trabalho e ter uma ascensão financeira. "Meu nome foi pro Serasa quando entrei num trabalho que me pagava o dobro do que eu costumava receber e os bancos me deram muito limite de crédito e de cheque especial."

Para E., o cheque especial foi o grande motivo do caos financeiro da sua vida por anos. "Comecei com uma dívida de R$ 3.000 e quando vi, já tinha se tornado R$30 mil. Eu lembro que financiava e parcelava a dívida e isso só fez virar uma bola de neve. Depois de dois anos completamente endividada percebi que precisava de ajuda."

A psicóloga procurou uma consultora financeira não somente para quitar a dívida, mas para aprender a pensar diferente em relação ao dinheiro.
"Eu já tinha tentado sair dessa situação por conta própria, mas é muito difícil mudar a nossa mentalidade, ainda mais quando se cresce pobre e começa a ter mais acesso ao consumo. A sensação era de que eu precisava ter tudo que não tive antes para compensar essa falta, e nessa, eu gastava ainda mais."

Segundo E., sua experiência com uma especialista foi fundamental para sua situação atual. "Fomos trabalhando no entendimento de como eu via o dinheiro e na mudança de mentalidade, para que as finanças tivessem um papel diferente na minha vida."

A paraibana passou a anotar tudo que gastava e percebeu quanto dinheiro ia embora em coisas irrelevantes. "Hoje me questiono mais sobre o que vale e o que não. Só tenho dois cartões de crédito, que evito usar com frequência e aboli o uso do cheque especial."

Para ela, a consultoria a ajudou a colocar os pés no chão e a recalcular rota. "A minha vida financeira não é perfeita, mas muito melhor do que foi em 9 anos. Hoje eu tenho dinheiro investido, uma reserva e vivo com mais estabilidade. A gente precisa entender qual é a nossa relação com dinheiro antes de tentar controlar ele." finaliza.

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Descobriu desvios financeiros no negócio

R., de 37 anos, se viu perdido em dívidas depois de descobrir desvios de ex-marido. Sócio-proprietário de uma empresa no ramo de estética animal em Campo Grande (MS) há 7 anos, ele tinha uma loja e trabalhava dando consultoria administrativa e cursos de banho e tosa para pet shops.

Por conta das viagens que fazia para ministrar as palestras, R. deixou seu até então companheiro responsável pela parte financeira do estabelecimento. Após se divorciarem, o empresário descobriu desvios de dinheiro por parte do ex-marido.

"Quando descobri o rombo de cerca de R$280 mil, tive que parar de dar as consultorias para cuidar da minha loja, já que não confiava mais em ninguém", conta R. Sem os cursos, porém, as contas não fechavam e a renda diminuiu drasticamente.

"Eu nunca tinha passado por isso, sempre tive uma situação financeira muito saudável. Jamais esperava sofrer esse golpe de uma pessoa com quem dividia a vida. Vendo minha situação, minha terapeuta me indicou uma profissional do ramo financeiro para me ajudar", relata.

O empresário seguiu um passo a passo junto da profissional para que pudesse começar a se organizar, pagar as dívidas e ter uma sobrevida financeira. "Ela me ensinou a ir quitando as dívidas aos poucos, fazendo com que sobrasse um valor para que eu pudesse pagar as contas mensais e fazer investimentos." conta.

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"Eu tive que começar totalmente do zero, pois na separação também perdi carro e casa". Ele fez consórcios para comprar carro e imóvel no futuro, além de buscar investimentos de rápido retorno para pagar dívidas com bons acordos.

Atualmente, o sul-mato-grossense já reduziu a dívida em quase 75% - o restante deve ser pago em até dois meses. "Hoje tenho um controle melhor da minha vida financeira, consigo fazer o que desejo sem medo porque tenho uma quantia guardada, investimentos e aprendi a fazer o dinheiro trabalhar para mim", diz.

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