Setor estuda inclusão de pagamentos via Pix nos cartões

A evolução do Pix como meio de pagamento atrai os olhares da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços). A entidade afirma que estuda a inclusão do sistema de pagamentos instantâneos do BC (Banco Central) ao lado das funções de débito e crédito.

O que aconteceu

Pix pode ser integrado como opção de pagamento nos cartões. Segundo Giancarlo Greco, presidente da Abecs, a pergunta "débito, crédito ou Pix" pode ser ouvida em breve pelos consumidores ao apresentarem um cartão para pagar uma conta.

Cartões nem sequer precisariam de modificação. Greco afirma que a disponibilização da nova forma de pagamento seria instantânea e estaria disponível nos cartões atualmente na carteira dos consumidores. "Teoricamente, não precisaria nem trocar o plástico [para a implementação do modelo]. Se eu coloco a funcionalidade, você pode usar ele a partir de amanhã", diz ele ao destacar a presença média de dois cartões por pessoa no Brasil.

Funcionalidade já existe para os consumidores. O presidente da Abecs avalia que o pagamento via Pix com o uso dos cartões apenas vai aperfeiçoar as modalidades já existentes, a exemplo do Pix por aproximação. "Para nós, é só uma questão de oferecer essa opção no mesmo produto com a condição de você escolher [a melhor forma de pagamento]."

Segurança ainda é ponto de atenção. Ainda que veja a implementação como positiva, o presidente da Abecs reconhece um risco maior para inibir fraudes com os pagamentos realizados pelo Pix. A avaliação considera que o meio de pagamentos instantâneos ainda não conta com a segurança oferecida pelas modalidades de débito e crédito.

O cartão tem um sistema de segurança que avalia quando vê alguma coisa errada e tenta bloquear [operações fraudulentas].
Ricardo de Barros Vieira, vice-presidente executivo da Abecs

Abecs avança em conversas sobre o tema. A entidade nega ter abordado o assunto com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), mas afirma que as discussões estão em desenvolvimento. "Conversamos com os bancos emissores e com credenciadores para que eles entendam a solução. Ninguém fez nenhuma análise de julgamento", disse Greco.

Ninguém montou nenhum [projeto] piloto, ainda está em uma fase de discussão do conceito.
Giancarlo Greco, presidente da Abecs

Associação não vê dependência do BC na fase atual. Greco afirma que a implementação dos pagamentos por Pix nos cartões depende mais dos arranjos do mercado do que da autoridade monetária. "A hora que a gente for integrar, é muito mais um trabalho do ecossistema de cartões de poder fazer essa funcionalidade caminhar nos trilhos", afirmou.

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Eu posso começar a incorporar todas essas regras atuais no Pix. O que nós não queremos é interferir neste arranjo do Banco Central, que já existe e é muito bem-sucedido.
Giancarlo Greco, presidente da Abecs

Avaliações passam pela aceitação do conceito proposto. De acordo com o presidente da Abecs, a nova funcionalidade vai depender do olhar positivo do varejo para a aceitação da forma de pagamento. "Se o comércio adotar e vir valor nessa solução, a cadeia toda vai aderir, porque faz sentido na transação", analisa ele.

Estabelecimentos podem ser taxados pelo uso do modelo. Devido à inclusão das ferramentas dos cartões atuais. Greco reconhece a possibilidade da implementação de tarifas para quem receber os pagamentos pela futura modalidade. "Para o estabelecimento, uma transação Pix não é de graça, tem uma série de cobranças que já existem. [...] Se eu trouxer ferramentas que me ajudam a fazer uma transação mais segura, talvez faça sentido eu começar a cobrar uma taxa", avalia ele, que nega uma definição sobre alvo das tarifas.

BC nega olhar para expansão idealizada pela Abecs. "Não há, na agenda estabelecida para a evolução do Pix, nenhum desenvolvimento que esteja relacionado à interoperabilidade com arranjos de cartão", afirma a autoridade monetária, em nota.