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Petrobras deve cortar investimentos até 2020 em 20%, para US$ 80 bilhões

Paulo Whitaker/Reuters
Imagem: Paulo Whitaker/Reuters

Por Rodrigo Viga Gaier e Jeb Blount

01/03/2016 16h20

RIO DE JANEIRO, 1 Mar (Reuters) - A Petrobras reduzirá os investimentos em seu novo plano de negócios de cinco anos em cerca de 20%, com o preço baixo do petróleo e a enorme dívida da estatal limitando a capacidade da companhia de financiar projetos no pré-sal, disseram à agência de notícias Reuters duas fontes diretamente envolvidas na elaboração do programa.

O novo plano de negócios, que deve ser divulgado em abril, será reduzido para cerca de US$ 80 bilhões no período de 2016 a 2020, indicando uma média de US$ 16 bilhões por ano. Se confirmado, esse será o menor montante previsto pela Petrobras desde 2006, disseram as fontes, que pediram anonimato porque o plano ainda não recebeu uma aprovação final.

O total é quase um quinto inferior aos US$ 98,4 bilhões previstos na revisão do plano de 2015 a 2019 divulgada em janeiro, um programa que sofreu vários ajustes ante o original, de US$ 130 bilhões, ou US$ 26 bilhões ao ano, quando foi anunciado em junho de 2015.

A diminuição dos investimentos realça uma dramática reversão nas perspectivas para a Petrobras quando da descoberta das reservas gigantes do pré-sal, reveladas em 2007.

O novo plano seria apenas um terço dos US$ 235 bilhões projetados no plano plurianual da Petrobras de 2012, na época o maior programa de investimentos por uma companhia em todo o mundo.

"Aquela Petrobras não existe mais. Seja pela conjuntura, seja pelos maus feitos que sacrificaram a companhia", disse a primeira fonte.

Queda do petróleo prejudicou estatal

O consenso em torno de um plano de cerca de US$ 80 bilhões tem se solidificado nas últimas semanas, uma vez que os principais executivos da empresa descartaram expectativas de que os preços do petróleo vão se recuperar muito este ano em relação aos valores próximos de uma mínima em uma década, acrescentou a mesma fonte.

Os motivos para quatro anos de sucessivos e agudos cortes de investimentos pela Petrobras vão além da recente queda acentuada do preço do petróleo Brent (negociado em Londres), que atingiu em janeiro o menor valor em 12 anos, a US$ 27,88 o barril, ante mais de US$ 125 em 2012, quando o maior plano da história da estatal foi lançado.

Para combater a inflação, o governo federal, acionista majoritário da Petrobras, não permitiu no passado que a companhia aumentasse os preços domésticos dos combustíveis em linha com o exterior, elevando a dívida da estatal.

Ao mesmo tempo, a empresa se viu protagonista de escândalo de corrupção bilionário investigado pela operação Lava Jato, o que elevou seus custos, fez a companhia adiar projetos e abalou a relação com investidores.

Embora se espere que os investimentos médios anuais no âmbito do novo plano fiquem em US$ 16 bilhões ou um pouco mais, os gastos em alguns anos poderiam cair para US$ 15 bilhões, especialmente se esforços para vender negócios e reduzir a dívida de US$ 130 bilhões da empresa não forem bem-sucedidos, disse uma das fontes.

Se a Petrobras terá de cortar ainda mais seus investimentos, isso dependerá do sucesso na venda de outros negócios, disseram as fontes. Apenas em 2016, a Petrobras pretende levantar US$ 14 bilhões com a venda de bens.

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.