Caso Oi mostra fragilidade do setor bancário concentrado no Brasil, diz Fitch

O pedido de recuperação judicial da Oi ressalta os efeitos negativos de um sistema bancário bastante concentrado no Brasil, afirmou nesta sexta-feira (24) a agência de classificação de risco Fitch.

A operadora de telecomunicações pediu recuperação judicial na última segunda-feira, após fracasso em tentar negociar com credores uma reestruturação de parte de dívidas de R$ 65 bilhões.

A dívida bancária da companhia está bastante concentrada nos seis maiores bancos do país, que juntos respondem por mais de 80% do crédito do sistema financeiro. Os maiores credores da Oi são bancos controlados pelo governo - Banco do Brasil, Caixa e BNDES - e também os líderes privados Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil.

Para a Fitch, os bancos privados têm sido mais conservadores, o que lhe dá mais conforto para fazer provisões sobre a Oi no curto prazo e também absorver eventuais perdas com outras grandes empresas.

Os bancos brasileiros geralmente fazem uma provisão equivalente a 30% do crédito feito a empresas que pedem recuperação judicial. A Fitch estima que os bancos podem fazer uma forte provisão extra no curto prazo, dependendo do tipo de exposição e da estrutura de garantias.

Segundo a agência, os principais bancos privados têm níveis adequados de capital que variam 16,4% a 17,9%. "Porém, a capacidade de absorção de perdas pode ficar sob estresse maior no caso de uma prolongada recessão no Brasil ou se houve um crescimento considerável na magnitude e frequência de colapsos de grandes grupos."

A Reuters publicou na quarta-feira citando fonte a par do assunto que o Banco do Brasil fará uma provisão adicional de cerca de R$ 650 milhões no balanço do segundo trimestre, após o anúncio feito pela Oi.

Segundo a Fitch, exemplos bem sucedidos de reestruturação de dívida no Brasil são raros e as perspectivas para um acordo rápido entre vários credores e fornecedores da Oi não parecem boas, especialmente com relatos sugerindo que a Oi tem pressionado para um corte de cerca de 50% da dívida.

O aumento de provisões para perdas são um dos fatores que mais devem pesar sobre a rentabilidade do setor bancário brasileiro neste ano e na primeira metade de 2017, afirmou a agência.

A Fitch comentou ainda que os bancos informaram à agência que estão reduzindo apetite por risco e reduzindo limites para encolher concentrações diante dos problemas enfrentados pelo setor corporativo.

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