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Lucro da BRF desaba 91,6% no 2º tri; companhia diz que pior já passou

Aluísio Alves

SÃO PAULO, 28 Jul (Reuters) - A combinação de insumos caros e baixa demanda doméstica devido à recessão pesou no desempenho da empresa de alimentos BRF (BRFS3) no segundo trimestre, que viu seu lucro líquido despencar mais de 90% no período.

A maior exportadora de carne de frango do mundo anunciou nesta quinta-feira que seu lucro líquido de abril a junho somou R$ 31 milhões, queda de 91,6% ante lucro de R$ 364 milhões no segundo trimestre de 2015.

O movimento refletiu em parte o fato de no primeiro semestre os preços de mercado do milho e do farelo de soja terem subido, respectivamente, 83% e 20%, explicou a BRF.

O resultado operacional da empresa medido pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve contração de 31,6% no comparativo anual, para 944 milhões de reais. A margem Ebitda teve um tombo de 6,3 pontos percentuais, para 11,1%.

"O momento adverso foi intensificado durante o segundo trimestre com a produção e oferta de frango ainda em expansão, preço do milho escalando para níveis recordes, forte apreciação cambial e deterioração do cenário econômico brasileiro", afirmou a companhia em seu relatório.

O resultado ainda foi amenizado em parte pelo bom desempenho das vendas ao exterior. Assim, a receita líquida total cresceu 7,6%, a R$ 8,5 bilhões, impulsionada por preços médios mais altos (+2,8% ano a ano) e maiores volumes (+4,6%), devido às operações internacionais.

O balanço ainda foi favorecido por um resultado financeiro, que apesar de ser negativo, apresentou melhora ante o ano anterior, diante do "elevado nível de comércio exterior e operações internacionais em diversas moedas". O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 504 milhões, ante resultado negativo de R$ 657 milhões no mesmo período do ano passado.

Para a companhia, "movimentos de variáveis importantes do nosso setor indicam que o pior momento deste ciclo ficou no segundo trimestre". "Estamos confiantes que devemos observar uma recuperação gradual do setor e dos nossos resultados a partir do terceiro trimestre".

Como exemplo, citou os preços internacionais. Em maio, pelo quinto mês consecutivo, os preços em dólares subiram, acumulando alta de cerca de 16% em relação ao início do ano.
No mercado doméstico, apesar da demanda ainda fraca, a BRF disse que seguirá realizando os ajustes de preços necessários para defender margens.

(Edição de Raquel Stenzel)

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