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Caixa prepara novas medidas de incentivo a crédito imobiliário nos próximos dias, dizem fontes

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO, 27 Out (Reuters) - A Caixa Econômica Federal vai anunciar nos próximos dias um novo pacote de medidas com objetivo de ampliar as concessões de crédito imobiliário, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento direto do assunto.

As medidas, aprovadas pelo Conselho de Administração do banco estatal na última terça-feira (25) incluem corte de juros nas linhas habitacionais com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), maior fonte de recursos do banco para financiar o setor.

Esta é a primeira medida abrangente de uma instituição financeira de repasse de juros menores ao tomador, após o Banco Central ter reduzido a Selic na semana passada, no primeiro corte da taxa básica em quatro anos.

O pacote da Caixa também deve incluir o aumento da cota financiável. Além disso, o maior financiador habitacional do país considera aceitar como parte da entrada em imóveis com valor inferior a R$ 100 mil, hoje o piso praticado pelo banco.

Consultada, a Caixa informou que há medidas em estudo para estimular o financiamento imobiliário, mas que ainda não houve definição a respeito.

Parcelamento

Outra medida considerada pela Caixa é o uso de um sistema de amortização que mescla características das tabelas SAC (Sistema de Amortização Constante) e Price.

Tradicionalmente, a Caixa usa apenas a SAC, entre outras razões porque o risco de inadimplência é menor, dado que o valor das prestações é cadente ao longo do tempo.

Porém, como as parcelas iniciais são maiores, especialmente num período de juros mais altos, muitas propostas de crédito têm sido recusadas, quando os proponentes não podem pagar uma prestação inicial superior a 30% da renda familiar.

Como a tabela Price, de prestações constantes, tem parcelas iniciais menores, várias dessas propostas até então recusadas poderiam ser aprovadas pela Caixa. A contrapartida é que nesse sistema o juro total pago ao longo do financiamento é maior.

Por no passado ter sido alvo de processos judiciais questionando o uso da tabela Price, o banco ainda discute se vai adotar esse modelo misto.

Crise no setor

As medidas vêm no momento em que o setor imobiliário segue amargando os efeitos da profunda recessão do país, com construtoras apurando números recordes de distratos (devoluções) e baixando preços para tentarem reduzir estoques.

A Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) prevê que a atividade no setor neste ano seja a pior desde 2009.

Este será o segundo pacote de incentivos da Caixa ao setor imobiliários em pouco mais de três meses. Em julho, a agência de notícias Reuters antecipou medidas do banco para o setor, incluindo elevação do teto do valor de imóveis financiáveis, do percentual da cota e financiável para imóveis de valores maiores, além de condições facilitadas para construtoras. 

A Caixa tem um orçamento original de R$ 93 bilhões para financiamento imobiliário em 2016, mas na primeira metade do ano só havia emprestado R$ 39 bilhões.

O governo federal prepara um grande evento para anunciar as medidas, com a presença do presidente Michel Temer, em meio aos esforços para melhorar as expectativas com a economia do país.

Essa movimentação levou a Caixa a suspender a assinatura de um acordo com a construtora MRV , prevista para esta quinta-feira (27), do primeiro projeto do faixa 1,5 do programa de habitação popular Minha Casa Minha Vida.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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