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BC continuará atuando no câmbio e estoque de swap dá "conforto", diz Ilan

Patrícia Duarte

(Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta sexta-feira (11) que a autoridade monetária continuará atuando no mercado de câmbio, ressaltando que o estoque de swaps tradicionais é menor hoje em dia, o que dá "conforto" para a ação do BC.

Ilan, que participou de evento no Chile sobre bancos centrais, disse ainda que o câmbio flutuante no Brasil é uma importante ferramenta e repetiu que o BC somente reduzirá o estoque de swaps tradicionais quando as condições de mercado permitirem.

"Não vamos deixar faltar liquidez aos mercados", afirmou ele. "Hoje o estoque de swaps cambiais é bem menor, de 24 bilhões (de dólares), o que nos dá mais conforto e espaço para atuar", acrescentou.

A vitória de Donald Trump na corrida pela Presidência dos Estados Unidos trouxe muitas incertezas nos mercados financeiros globais, fazendo o dólar saltar mais de 6% sobre o real nas duas sessões passadas; nesta, já encostou em R$ 3,50.

Com isso, o BC informou na véspera que começaria a rolagem dos swaps tradicionais --equivalentes à venda futura de dólares-- que vencem em 1º de dezembro e totalizam US$ 6,490 bilhões. Segundo o BC, caso a rolagem seja integral, o estoque de swaps tradicionais será mantido em US$ 24,106 bilhões.

Desde abril passado, o BC não fazia leilões de swaps tradicionais, mas apenas swaps reversos, que equivalem à compra futura de dólares.

"O câmbio flutuante é uma importante ferramenta", afirmou Ilan. "O BC somente reduzirá estoque de swap quando condições de mercado permitirem", acrescentou.

Questionado se o BC poderia atuar no mercado de câmbio à vista, utilizando as reservas internacionais do país, Ilan disse que não descartava nenhuma possibilidade.

Nesta sexta-feira, o BC fez três leilões de swaps tradicionais, colocando o equivalente a US$ 1,703 bilhão, o que ajudou a alta do dólar perder considerável força ante o real. Por volta das 16h, a moeda note-americana subia cerca de 0,85%, depois de ter saltado mais de 4% pela manhã.

Política monetária

Sobre a política monetária, Ilan reforçou ainda que o Comitê de Política Monetária (Copom) "avaliará o ritmo e magnitude da flexibilização monetária ao longo do tempo, para assegurar convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento".

O BC iniciou no mês passado novo ciclo de afrouxamento monetário, ao reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 14 por cento ao ano. E havia indicado que novas quedas e maior intensidade dependeriam do comportamento, sobretudo, da inflação de serviços e do ajuste fiscal brasileiro.

Ilan, , reafirmou ainda que o BC está comprometido em trazer inflação para a meta e mantê-la estável, o que ajudará a economia a recuperar a confiança e o crescimento.

"A convergência da inflação para a meta em 2017 e 2018 é compatível com flexibilização moderada e gradual das condições monetárias", afirmou ele, segundo apresentação em inglês publicada no site do BC.

Ilan disse ainda na apresentação que o objetivo de regulação e supervisão do BC é manter o sistema financeiro sólido, líquido e provisionado durante toda a crise.

(Edição de Alexandre Caverni)

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