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Eleições 2016 nos EUA

Após vitória de Trump, Brasil pode superar México na preferência do investidor

Bruno Federowski e Dion Rabouin

SÃO PAULO/NOVA YORK (Reuters) - A vitória surpreendente de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos pode ser uma bênção disfarçada para o Brasil, já que a pauta de reforma fiscal e a baixa dependência do comércio exterior podem atrair investidores que consideram os mercados mexicanos mais vulneráveis.

Os mercados emergentes vêm experimentando um movimento de venda desde o êxito de Trump no dia 8 de novembro, por medo de que os cortes de impostos e os gastos pesados em infraestrutura possam obrigar o Federal Reserve, banco centra dos EUA, a aumentar os juros mais rápido, o que poderia drenar capital destinado a ativos de maior retorno dos países em desenvolvimento.

Muitos também temem um choque no comércio global se Trump cumprir a promessa de campanha de reavaliar acordos comerciais.

O real caiu 8% nos quatro dias posteriores à eleição de Trump, o segundo pior desempenho entre as moedas da América Latina, só atrás do peso mexicano, mas desde então se estabilizou perto dos R$ 3,40 por dólar à medida que o baque inicial diminuiu.

Os investidores dizem que otimismo com a agenda de reformas do presidente Michel Temer elevou o investimento estrangeiro direto no Brasil e deixou o país menos exposto à volatilidade do mercado na esteira da vitória de Trump.

A economia relativamente fechada, bem como seu status de vendedor líquido de petróleo, fazem do Brasil uma atraente alternativa ao México, que vende cerca de 80% de suas exportações para os Estados Unidos. Preocupações sobre o orçamento e a economia retiraram a atratividade do México, que vinha sendo considerado o "queridinho do mercado".

Muitos investidores vêm trocando o México pelo Brasil ao menos desde julho, de acordo com um levantamento da Reuters junto a gerentes de fundos, uma tendência que poderia se acelerar nos próximos meses.

Steve Tananbaum, fundador da empresa de gerenciamento de ativos GoldenTree Asset Management, disse estar "bastante positivo" a respeito do Brasil e da Argentina, onde governos de inclinação direitista assumiram no último ano com uma agenda de reformas benéfica ao empresariado.

"Suas moedas caíram bruscamente, mas ainda assim achamos que há muitas mudanças positivas acontecendo por lá", disse. "Politicamente, ambos tiveram mudanças de liderança que são governos pró-crescimento".

Brasil X Argentina

Mesmo após a queda recente, o real e o peso argentino continuam entre os ativos de melhor desempenho no mundo este ano, graças às histórias semelhantes do presidente brasileiro, Michel Temer, e do argentino, Mauricio Macri.

Ambos substituíram esquerdistas que tentaram estimular a economia com gastos desmedidos e medidas intervencionistas.

Os esforços dos novos mandatários para apertar o cinto vêm cativando os investidores, embora a economia brasileira ainda tenha que se recuperar de sua pior recessão em décadas.

Anos de protecionismo também reduziram a dependência das duas economias ao comércio exterior, protegendo-as de possíveis abalos.

Embora os títulos e as moedas tenham despencado, as ações dos mercados emergentes estão em uma situação mista desde a eleição, já que as perspectivas de gastos em infraestrutura elevaram os preços dos metais industriais.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 3,8% desde a votação nos EUA, em comparação com uma queda de 6,2% nas ações mexicanas, enquanto um índice de ações dos produtores de produtos básicos subiu 20%.

Carlos Sequeira, chefe de pesquisa do Banco BTG Pactual, disse que as ações brasileiras podem subir ainda mais se Temer obtiver apoio parlamentar para limitar os gastos públicos e conter o crescimento da dívida.

Isso permitiria ao Banco Central brasileiro continuar seu ciclo de redução dos juros, disse ele, tornando os investimentos em ações mais atraentes em termos relativos.

"Há gordura para queimar mesmo se os juros dos EUA subirem mais do que o esperado", disse Sequeira.

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