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Ilan defende reformas para elevar produtividade e crescimento de longo prazo

  • Pedro Ladeira/Folhapress

SÃO PAULO, 12 Dez (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, defendeu nesta segunda-feira (12) reformas para aumentar a produtividade e o crescimento de longo prazo da economia brasileira, bem como da seguridade social.

Segundo ele, o Brasil está deixando de ser jovem, "o que reforça ainda mais a necessidade de se mudar as regras atuais da Previdência Social".

O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da reforma da Previdência, protocolou na quinta-feira parecer favorável ao texto enviado pelo governo do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição de Justiça da Câmara dos Deputados.

Para Ilan, quanto mais o Brasil perseverar no caminho de ajuste e reformas, mas rápida será a retomada da economia. Ele afirmou que a PEC do teto dos gastos, que deve ser votada em segundo turno no Senado na terça-feira precisa ser acompanhada de mudanças na Previdência.

"Devemos nos manter perseverantes e serenos para fazer a economia voltar a crescer", afirmou Ilan durante pronunciamento em evento em São Paulo.
O presidente do BC ainda destacou o papel da autoridade monetária no controle da inflação, que leva "à queda sustentável dos juros", com efeitos no crescimento. "É condição necessária para a retomada econômica", disse.

Taxa de juros

Em novembro, o BC cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, e sinalizou que poderá aumentar o passo no encontro de janeiro. O resultado melhor do que o esperado do IPCA de novembro, divulgado na semana passada, ajudou a reforçar essa leitura.

Ilan avaliou que a política monetária tem sido efetiva e lembrou que ao final do ano passado a inflação estava em 10,7%, enquanto as expectativas medidas pela pesquisa Focus apontam para algo em torno de 6,5% no final deste ano. 

"Para 2017, as expectativas recuaram para em torno de 4,9% e encontram-se ao redor de 4,5% para 2018 e horizontes mais distantes", afirmou Ilan.

Há, no entanto, alguns sinais de pausa na desinflação de alguns componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, destacou o presidente do BC. "Todavia, surpresas positivas na inflação e a fraqueza na atividade tornam mais provável a retomada do processo de desinflação desses componentes."

Na ata do último encontro do Copom, a fraqueza da atividade foi destaque para justificar a discussão de um corte maior da Selic em janeiro.

Nesta segunda-feira, Ilan reforçou que o BC é sensível ao nível de atividade na sua tomada de decisões e destacou que, em ambientes com expectativas de inflação ancoradas, os custos de desinflação são levados em conta nas decisões de política monetária. "Nesses últimos meses foi importante ancorar as expectativas e derrubar a inflação."

Ilan destacou ainda que a "política monetária não substitui, mas complementa outras políticas do governo".


(Reportagem de Aluísio Alves; Texto de Claudia Violante; Edição de Camila Moreira)

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