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Cemig aprova plano de desinvestimentos e prioriza venda de Santo Antônio

SÃO PAULO (Reuters) - O plano de desinvestimentos da estatal mineira Cemig coloca como prioritária a venda da fatia da empresa na hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, disseram executivos da companhia em teleconferência nesta quarta-feira.

As vendas de ativos da Cemig são vistas como uma saída para o elevado e caro endividamento da companhia, cuja dívida líquida fechou 2016 em 13,1 bilhões de reais, dos quais 10,5 bilhões vencem até 2019.

"Temos já aprovado pelo Conselho, agora na reunião de março, o que faremos de desinvestimentos... Santo Antônio é prioritária a venda... queremos que o closing dessa operação seja fechado até outubro, temos uma equipe trabalhando só para venda de ativos", afirmou o diretor financeiro, Adézio Lima.

Ele disse que a Cemig negou uma primeira proposta de um investidor interessado, e chegou a paralisar as negociações. Mas em seguida a companhia apresentou uma contraproposta ao interessado, atualmente em análise.

"Não chegamos ainda a um bom termo, mas ele está voltando à mesa para continuar a discussão", disse Lima, sem citar nomes.

A chinesa State Power Investment Corporation (SPIC) apresentou uma proposta por Santo Antônio, na qual a Cemig tem como sócios Eletrobras, Odebrecht e Andrade Gutierrez, segundo fonte com conhecimento da situação.

Os investimentos em Santo Antônio, que está em plena operação, somaram mais de 20 bilhões de reais.

O diretor disse ainda que outras possíveis transações estão em análise, como a venda de ativos de transmissão da empresa para a Taesa, uma transmissora em que a Cemig é sócia da colombiana Isa e do fundo Coliseu.

Ele afirmou que os ativos prioritários nos desinvestimentos serão os que não fazem parte do "core business" da Cemig ou aqueles nos quais a companhia não possui participação relevante.

A Cemig anunciou na noite de terça-feira prejuízo líquido de 299 milhões de reais no quarto trimestre, após registrar 763 milhões de reais em perdas com os investimentos realizados na Renova Energia, de geração renovável.

O resultado da Cemig em 2016 surpreendeu negativamente e mostra que a elétrica mineira vai precisar acelerar seus planos de desinvestimentos e corte de custos, na visão de analistas do Santander Brasil.

LIGHT

Na elétrica Light, responsável pela distribuição de eletricidade no Rio de Janeiro e com ativos de geração, a Cemig, que é controladora, busca alternativas após ver seus sócios pedirem para deixar o negócio.

Por contrato, a Cemig teria que comprar a fatia dos sócios caso não existam mais interessados, mas uma operação nesse sentido poderia levar a estatal mineira a ter mais de 50 por cento da Light, o que transformaria a empresa em estatal.

Segundo o diretor financeiro, a Cemig teria caixa para comprar essas participações se necessário, mas não pretende tornar a Light uma empresa estatal.

"Temos alguns eventos de mercados de capitais antes de novembro para que isso não ocorra... temos aí já em fase de aprovação nos Conselhos (meios) para a gente sair desse risco... não gostaríamos que ela virasse estatal", disse Lima, sem detalhar.

A Light informou no final de março que considera a possibilidade de realizar uma oferta pública primária de ações no Brasil e no exterior.

(Por Luciano Costa)

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