ENTREVISTA-Engie quer entrar em operação de aeroportos no Brasil via leilão ou aquisições

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo francês Engie busca expandir sua atuação no Brasil para um novo ramo de negócios, o de operação de aeroportos, de olho em novas oportunidades de investimentos no país, onde já é um dos maiores do setor elétrico.

A ideia é disputar concessões que venham a ser oferecidas pelo governo ou realizar aquisições, disse à Reuters nesta quinta-feira o diretor de Estratégia, Comunicação e Responsabilidade Social da Engie Brasil, Gil Maranhão.

"Estamos atentos para algumas reestruturações, para a consolidação. Podemos ser sócios ou entrar em uma alienação", disse o diretor, referindo-se a aeroportos já licitados no país.

Ele não comentou valores que a companhia estaria disposta a aportar no setor, mas ressaltou que o interesse da Engie pelo país é grande, e que a empresa está preparada para empreendimentos de porte significativo.

"Tudo em nosso grupo é muito grande... a gente não tem condição de entrar para brincar", comentou.

Outra opção seria ingressar no setor por meio de leilões de concessões, que poderiam ocorrer entre março e abril de 2018, em certames em que o governo espera arrecadar até 4 bilhões de reais em outorgas.

De acordo com o executivo da Engie, a companhia chegou a analisar o leilão de concessões de aeroportos realizado pelo governo em março, no qual foram oferecidos os terminais de Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Salvador (BA) e Fortaleza (CE), mas optou por não entrar na disputa na ocasião.

"Chegamos a estudar entrar no último... estudamos parcerias, mas não deu tempo. É uma coisa que estamos olhando com muito carinho", disse.

Além de concessões, a Engie quer prestar serviços a aeroportos operados por outras empresas, em uma estratégia que faz parte de uma meta da companhia de crescer em até 40 vezes o faturamento na área de serviços em geral nos próximos quatro anos, para 1 bilhão de reais.

A empresa já oferece soluções em energia elétrica e outras tecnologias, como refrigeração, eficiência energética e monitoramento para segurança, inclusive para aeroportos, e a expectativa é de alavancar fortemente esses negócios, inclusive com a compra de empresas do segmento.

"Esse é um braço do grupo que ainda é fraco no Brasil, mas é muito forte na Europa... apostamos no crescimento orgânico, e também vamos buscar aquisições em serviços", explicou Maranhão.

As eventuais compras devem focar empresas de pequeno porte ou start-ups no setor.

SETOR ELÉTRICO

A Engie já é uma importante investidora no setor elétrico do Brasil, onde é líder em capacidade instalada de geração se consideradas apenas as empresas privadas.

Segundo Maranhão, a companhia mostrou seu apetite pelo setor ao avançar para o segmento de transmissão --a Engie apresentou propostas para vários projetos de novas linhas de energia em um leilão realizado pelo governo em abril, apesar de não ter arrematado nenhum empreendimento.

Ainda assim, a companhia seguirá de olho nos projetos de transmissão, por entender que esses investimentos oferecem boa relação entre risco e retorno.

O foco da empresa em energia também está em projetos de geração eólica, solar e termelétrica a gás natural ou gás natural liquefeito (GNL).

Mas a companhia, que opera diversas hidrelétricas no Brasil, não está tão animada a fazer novos aportes no segmento, ao menos neste momento.

Segundo o diretor de Estratégia, a Engie não avalia atualmente investimentos em grandes hidrelétricas devido aos riscos ambientais e regulatórios associados a esses empreendimentos.

Questionado sobre o possível interesse em um leilão no qual o governo federal pretende oferecer a concessão de hidrelétricas já em operação, que deve ocorrer até o fim de setembro, o executivo também mostrou pouca empolgação.

Um dos entraves para o certame é a existência de diversas ações judiciais em que a mineira Cemig tenta evitar que o governo relicite algumas dessas usinas, que eram operadas pela empresa antes do vencimento das concessões.

"Hoje não estou descartando, mas a coisa não está muito clara, a questão de risco e retorno... e há uma incerteza jurídica também", apontou Maranhão.

Ele afirmou que os planos da Engie para o segmento hidrelétrico do Brasil são de médio prazo, e visam projetos de usinas de médio porte que precisam ainda ser alvo de estudos para eventualmente saírem do papel no futuro.

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