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Bovespa fecha em baixa com cautela por política; Copel é destaque negativo

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da Bovespa recuou nesta quinta-feira, em meio à cautela com o cenário político no terceiro dia de julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral da ação que pode decidir o futuro de Michel Temer na presidência do país, e com as ações da Copel liderando as perdas após a empresa ter dito que avalia uma oferta de ações.

O Ibovespa fechou em baixa de 0,66 por cento, a 62.755 pontos. O volume financeiro somou 6,2 bilhões de reais, abaixo da média diária para o ano até a véspera, de 8,3 bilhões de reais. Em junho até agora, o volume médio diário superou os 7 bilhões de reais apenas em um pregão.

A política permanece no centro das atenções, com a pressão sobre Temer vindo também de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de corrupção, obstrução à Justiça e organização criminosa, depois de gravação de conversa entre o presidente e um dos sócios da JBS.

Além da crise atingindo o Planalto, investidores seguem monitorando o andamento das reformas no Congresso Nacional. De maneira geral, a expectativa é que elas continuem avançando, ainda que de forma mais lenta do que o esperado anteriormente, mas a falta de clareza ajuda a manter o tom de cautela.

"Diante de tanta incerteza, de toda essa questão política, fazer aposta forte em bolsa agora é difícil... O mercado fica operando no day trade e esperando uma definição", disse o economista da Órama Investimentos Alexandre Espirito Santo.

DESTAQUES

- COPEL PNB fechou em queda de 7,69 por cento, após cair 11,28 por cento no pior momento do dia, depois que a estatal paranaense de energia disse que avalia uma eventual oferta subsequente de ações. Mais cedo, o jornal Valor Econômico informou que a Copel pretendia realizar uma oferta de ações para captar cerca de 4 bilhões de reais e reforçar o caixa. Segundo operadores, há preocupação relativa ao formato da oferta, ainda não detalhado pela empresa, mas que poderia levar a uma diluição dos acionistas. Operadores também destacam que o governo do Paraná travou uma disputa que levou à troca do diretor financeiro da Copel para elevar os dividendos pagos pela empresa ao Estado, o que faz com que uma proposta de capitalização neste momento seja vista com desconfiança e como possível ingerência na empresa.

- JBS ON cedeu 2,86 por cento. Os papéis da empresa têm mostrado forte volatilidade desde a delação de seus executivos. Nesta sessão, pesava ainda o receio de novas multas serem aplicadas à empresa após o governo editar medida provisória que endurece a fiscalização e as sanções que poderão ser adotadas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em caso de fraudes e irregularidades.

- ELETROBRAS ON caiu 3,31 por cento e ELETROBRAS PNB perdeu 2,67 por cento. No radar estava a busca realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na sede da estatal Furnas, do grupo Eletrobras, como parte de uma investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro, em desdobramento da operação Lava Jato.

- ITAÚ UNIBANCO PN recuou 1,04 por cento e BRADESCO PN perdeu 1,51 por cento, revertendo os ganhos da véspera e ajudando a pressionar o Ibovespa devido ao peso desses papéis em sua composição. SANTANDER UNIT teve desvalorização de 3,04 por cento e BANCO DO BRASIL ON cedeu 1,5 por cento.

- PETROBRAS PN teve variação negativa de 0,23 por cento, e PETROBRAS ON ganhou 0,15 por cento. O tom negativo vinha na esteira da fraqueza dos preços do petróleo no mercado internacional, mas com efeito limitado pelo noticiário positivo para a petroleira, após decisão da Justiça de manter o aval à venda de 90 por cento da participação estatal na Nova Transportadora do Sudeste (NTS) ao consórcio liderado pelo grupo canadense Brookfield, por 5,19 bilhões de dólares. [O/R]

- VALE PNA avançou 2,08 por cento e VALE ON ganhou 2,16 por cento, ganhando impulso de dados da balança comercial chinesa, principal mercado da mineradora. Os números mostraram exportações e importações mais fortes do que a expectativa em maio, a despeito da queda de preço das commodities, sugerindo que a economia chinesa está resistindo melhor que o esperado.

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