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Brasil precisa atrair investidor externo e financiamento privado, diz Eletrobras

Luciano Costa

SÃO PAULO, 21 Jun (Reuters) - O Brasil precisa atrair investidores internacionais e financiamento privado para garantir a retomada do crescimento econômico e o desenvolvimento de projetos de infraestrutura, disse o presidente da estatal Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., para quem o país necessita retomar uma trajetória "sustentável" na condução da economia.

Ele defendeu as reformas econômicas que o governo Temer tem buscado promover, incluindo uma agenda de privatizações que deverá incluir a venda de distribuidoras de eletricidade e outros ativos da Eletrobras, como fatias em usinas de geração e linhas de transmissão.

Ferreira disse ainda que houve "exageros" nas políticas econômicas do país nos últimos anos, como a concessão de muitos subsídios e crédito barato do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"É um momento diferente... depois que a gente faz as maluquices que fizemos, você não tem muito jeito, tem que voltar... voltamos à base, para ter um cenário sustentável", disse o executivo, ao participar na quarta-feira de jantar com investidores da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

O presidente da Eletrobras, que antes de assumir a elétrica comandou por anos a privada CPFL Energia, defendeu que o país precisará de capital privado e estrangeiro para voltar a crescer, dado o estrangulamento das finanças públicas.

"Precisa trazer investidor privado. Tem que trazer o investidor de fora para a privatização... o investimento tem que ser privado, e o financiamento tem que ser privado sem subsídio."

Ele afirmou que um "bom exemplo" de como é possível atrair investidores foi dado na última licitação realizada pelo governo em abril para concessões de linhas de transmissão de eletricidade. O certame foi bem-sucedido e fechou contratos para a construção de R$ 12,7 bilhões em novas linhas de energia. 

"Tem que ter taxas dignas de retorno", afirmou, lembrando que o governo federal trabalhou em conjunto com o Banco Mundial para chegar ao modelo que definiu as receitas que seriam oferecidas aos investidores no leilão.

Ele também ressaltou que esse último leilão "não teve a Eletrobras fazendo maluquices" e nem créditos subsidiados pelo BNDES, dois fatores que impulsionaram os resultados de licitações no setor elétrico no passado.

(Edição de Maria Pia Palermo)

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