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Com crise política, dólar salta quase 6% no 2º tri e se firma em R$3,30

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou esta sexta-feira com leve alta ante o real, com cautela dos investidores, mas a crise política que atingiu em cheio o presidente Michel Temer no mês passado levou a moeda norte-americana a acumular valorização de quase 6 por cento no segundo trimestre, maior salto em três meses desde o final de 2015.

O dólar avançou 0,15 por cento, a 3,3128 reais na venda, terminando a semana com queda de 0,79 por cento e junho com elevação de 2,36 por cento, segunda alta mensal seguida. O dólar futuro tinha leve alta de 0,05 por cento no final da tarde.

No segundo trimestre, a moeda norte-americana acumulou ganhos de 5,80 por cento, maior valorização trimestral desde o período entre julho e setembro de 2015 (+26,77 por cento).

Em 2017 até junho, o dólar ficou 1,94 por cento mais caro.

"O dólar já incorpora a aprovação da reforma trabalhista. Se não for aprovada antes do recesso parlamentar (em 18 de julho), pode ir a 3,45 reais", afirmou o CEO do correspondente cambial BeeCâmbio, Fernando Pavani.

O mercado foi atropelado pela delação de executivos do grupo J&F contra Temer, que acabou sendo denunciado por corrupção passiva e ainda é investigado pelos crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça. Com isso, aumentou o temor de que as reformas trabalhistas e da Previdência possa não andar no Congresso Nacional.

Na próxima semana, está prevista a votação da reforma trabalhista no plenário do Senado. Também haverá os desdobramentos da tramitação da denúncia contra Temer na Câmara dos Deputados.

Com isso, a cautela deve continuar sendo a tônica dos mercados no curto prazo, bem como a atuação do Banco Central que, na véspera, concluiu a rolagem integral dos swaps cambiais tradicionais --equivalentes à venda futura de dólares-- de julho. Em agosto, vencem outros 6,181 bilhões de dólares e, pelo menos por enquanto, o BC não anunciou novas intervenções.

Nesta manhã, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que a autoridade monetária tem mais espaço para atuação no mercado de câmbio diante do baixo estoque de swaps, equivalente a cerca de 28 bilhões de dólares.

"Ele deve manter a atuação que vem fazendo com os swaps. É uma carta na manga que ele tem e é muito boa", afirmou Pavani.

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