BNDESPar estende para 10 de julho prazo para convocação de assembleia da JBS, dizem fontes

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O BNDESPar estendeu até 10 de julho o prazo para que seja convocada uma assembleia extraordinária de acionistas da JBS para discussão da saída da família Batista do comando da maior processadora de carne bovina do mundo, disseram à Reuters duas fontes próximas às discussões neste sábado.

Representantes dos acionistas minoritários e da JBS discutiram nesta semana um planejamento para a convocação da assembleia para troca da direção da companhia e uma possível ação indenizatória que os investidores minoritários querem iniciar para cobrar reparação de prejuízos causados à empresa.

"Estendemos até 10 de julho. Requisitamos informações detalhadas para a companhia 30 de junho para apurar fatos econômicos e de desempenho", disse à Reuters uma fonte próxima as discussões neste sábado.

Inicialmente, o grupo JBS tinha até a última sexta-feira para convocar uma assembléia geral extraordinária solicitada pelos acionistas minoritários para discutir o afastamento da família Batista do dia a dia da companhia sob pena de o BNDESPar, como principal acionista minoritário, chamar a reunião extraordinária.

"Essas informações detalhadas precisam vir junto com a convocação para os sócios todos poderem analisar os números. Óbvio que a companhia precisa de 10 dias para organizar o material", disse a fonte.

Na semana passada, o BNDES, que por meio da BNDESPar tem participação de mais de 21 por cento na JBS, protocolou um pedido para uma reunião extraordinária sobre mudanças no comando da companhia, após o impacto das delações premiadas de executivos da empresa e dos irmãos Joesley e Wesley Batista formalizadas junto ao Ministério Público.

Joesley e Wesley renunciaram aos postos de presidente e vice-presidente do conselho da JBS em maio. Além disso, a controladora J&F, que detém cerca de 42 por cento da JBS, fechou acordo de leniência, com pagamento de multa recorde de 10,3 bilhões de reais.

Wesley foi substituído por seu pai, José Batista, na vice-presidência do conselho da JBS, mas seguiu como membro do colegiado e como presidente-executivo da companhia.

O BNDES tem apoio de outros minoritários, incluindo a Caixa Econômica Federal, que detém pouco mais de 4 por cento das ações da JBS, para a troca do comando da empresa. Na segunda-feira, o presidente do banco de fomento, Paulo Rabello de Castro, defendeu em evento a revisão da composição do conselho de administração da JBS e o afastamento da família Batista da direção da companhia.

Alguns nomes, de acordo com a fonte estão sendo discutidos para a composição da futura direção da JBS, mas por enquanto são mantidos em sigilo.

"O que se busca é um nome experiente para uma tarefa hiper complexa. Não adianta pensar em um nome novo, só por ser novo (...) O nome está sendo mapeado pelo comitê de governança e pelo próprio Conselho de Administração", acrescentou.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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