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Chinesa Cofco e brasileira CMAA querem comprar usina Revati, da indiana Renuka

Por José Roberto Gomes

SÃO PAULO (Reuters) - A Cofco Brasil e a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) manifestaram à Justiça interesse em participar do leilão da usina Revati, da Renuka do Brasil, em recuperação judicial, de acordo com petições dessas empresas vistas pela Reuters nesta terça-feira.

O leilão do complexo industrial como uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), ou seja, sem pendências para o comprador, está previsto para 4 de setembro, e os grupos interessados têm até 10 de agosto para requerer acesso ao pregão.

Se a venda for bem-sucedida, será o terceiro negócio de usinas de cana por meio de leilões judiciais em menos de um ano, conforme players com melhor estrutura de capital buscam ativos de rivais endividados.

A Glencore comprou a usina Guararapes em novembro do grupo Unialco. A Raízen Energia, uma joint venture entre a Cosan e a Royal Dutch Shell, fez em junho a aquisição de duas usinas da Tonon Bioenergia, por 823 milhões de reais.

A venda da usina da Renuka, localizada em Brejo Alegre (SP) e com capacidade instalada para moer 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, faz parte do processo de recuperação judicial da empresa, aprovado em maio pelos credores.

Com dívida de aproximadamente 2,7 bilhões de reais, a Renuka do Brasil está em recuperação judicial desde outubro de 2015.

Já a Cofco Brasil, da chinesa Cofco, possui quatro usinas de cana no Estado de São Paulo, com capacidade conjunta para processar 15 milhões de toneladas por ano.

A CMAA, por sua vez, controla as unidades Vale do Tijuco e Vale do Pontal, ambas no Triângulo Mineiro. Juntas, as usinas podem moer em torno de 5 milhões de toneladas de cana por temporada.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Cofco Brasil disse que não comentaria o assunto.

Já a CMAA e a Renuka não se manifestaram.

RENUKA

A Renuka do Brasil é subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, que iniciou investimentos no país em 2010 e foi atingida juntamente com o restante do setor por baixos preços do açúcar e pelo controle de preços de combustíveis que vigorou em governos anteriores.

No ano passado, os credores chegaram a aprovar um plano que previa a venda da outra usina da empresa, a Madhu, em Promissão (SP). A unidade foi a leilão em dezembro por 700 milhões de reais, mas não atraiu interessados.

O segundo pregão, com lances livres, em janeiro deste ano, foi suspenso a pedido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Desde então, a companhia vinha tentando marcar outras assembleias para tratar da situação da empresa, inclusive com uma proposta de leilão da Revati, a qual se concretizou em maio e que, agora, começa a atrair interessados.

(Com reportagem adicional de Marcelo Teixeira)

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