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Cade rejeita por unanimidade compra da rede de combustíveis Ale por Ipiranga

Por Leonardo Goy

  • LUIZ COSTA/JORNAL HOJE EM DIA - 17.1.2011

BRASÍLIA (Reuters) - O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou por unanimidade nesta quarta-feira (2) a compra da rede de distribuição de combustíveis Ale, quarta maior do país, pela segunda maior do setor, Ipiranga, do grupo Ultrapar, por cerca de R$ 2,2 bilhões.

Prevaleceu no plenário o voto do relator, conselheiro João Paulo de Resende, pela rejeição do negócio. Em seu voto, o relator explicou que a reprovação deu-se pela falta de acordo com as empresas quanto às condições a serem aplicadas para aceitar a operação, que geraria problemas relevantes de concorrência para os postos independentes, conhecidos como "bandeira branca".

As ações da Ultrapar, que chegaram a operar em alta antes do voto de Resende mais cedo, mas fecharam em queda de 4,92%, enquanto o Ibovespa subiu 0,93%.

A Ipiranga estava de olho na aquisição da Ale para complementar sua rede de distribuição no Nordeste. A Ale afirma ter cerca de 2.000 postos e 260 lojas de conveniência. Já a Ipiranga tem cerca 7.240 postos e rede de pouco mais de 1.900 lojas de conveniência.

O parecer inicial de Resende defendia a venda de ativos da Ale em 12 Estados, o equivalente a 65% das operações da empresa. As empresas, porém, não aceitaram essa condição e propuseram um novo acordo, de conteúdo sigiloso, que foi negado pelo plenário do Cade.

Em fevereiro, a superintendência-Geral do Cade já havia ponderado que a compra da Ale poderia resultar em aumento no preço na distribuição e na revenda de combustíveis devido ao aumento de poder de mercado da Ipiranga.

No mesmo mês, o Cade já tinha aprovado associação entre a Ipiranga e a norte-americana Chevron para a criação de uma nova empresa para produção e comercialização de lubrificantes.

Em comunicado ao mercado, a Ultrapar afirmou apenas que a reprovação da operação pelo Cade implica em que o contrato para a compra da Ale "restou automaticamente resolvido, sem qualquer penalidade de parte a parte".

Na semana passada, o Conselho de Administração da Ultrapar havia autorizado a Ipiranga a captar R$ 1,5 bilhão em debêntures de cinco anos, a 105% do CDI. Na ocasião, a Ultrapar não informou o destino dos recursos captados.

Já a Alesat, dona da rede Ale, afirmou em comunicado que "está saudável, coesa, bem posicionada e sólida" e que seguirá atuando "de forma independente, com foco no plano de expansão de sua rede embandeirada e dando continuidade aos seus demais investimentos, buscando, assim, a consolidação de sua posição nos mercados onde atua".

A Alesat é controlada em partes iguais pelo grupo mineiro Asamar e uma holding do empresário Marcelo Alecrim, também presidente da companhia.

Segundo o Cade, a compra da Alesat pela Ipiranga geraria significativo impacto na capacidade de concorrência no mercado por parte de postos regionais e de bandeira branca abastecidos atualmente pela Alesat.

"A operação elimina, em grande parte dos mercados analisados, a principal distribuidora capaz de abastecer postos interessados em permanecer como bandeira branca ou em ter uma alternativa negocial de embandeiramento às três grandes distribuidoras de nível nacional", afirmou o relator se referindo à Ipiranga, Petrobras e Raízen, dona da rede de postos Shell.

A reprovação da operação ocorreu cerca de um mês depois que o Cade rejeitou a compra do grupo de educação superior Estácio pela Kroton, que criaria uma gigante do ensino superior privado no país.

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