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Investigações podem chegar a mais obras da Olimpíada, dizem procuradores da Lava Jato

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As investigações da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, que chegaram à Prefeitura da capital fluminense pela primeira vez nesta quinta-feira, devem atingir mais obras realizadas pelo município para os Jogos Olímpicos de 2016, disseram nesta quinta-feira procuradores que atuam no operação de combate à corrupção.

"Existem indícios de atuação em cartel por parte das empreiteiras em relação a outras obras do município do Rio de Janeiro... há indícios de que o que descobrimos hoje não é algo episódico“, disse a jornalistas o procurador da Lava Jato no Rio Rafael Barreto.

“É possível que no caminho algumas obras relacionadas à Olimpíada do Rio de Janeiro sejam auditadas e investigadas”, acrescentou.

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira, em ação conjunta com o Ministério Público Federal, o ex-secretário municipal de Obras Alexandre Pinto por suspeita de recebimento de propina nas obras do corredor expresso de ônibus BRT Transcarioca e no programa de despoluição da Bacia de Jacarepaguá, dois projetos relacionados aos Jogos Olímpicos.

Segundo as investigações da chamada Operação Rio 40 Graus, o esquema criminoso envolveu o pagamento de propina de pelo menos 35 milhões de reais durante a gestão do ex-prefeito Eduardo Paes (PMDB), que foi o homem-forte da preparação da cidade para a Olimpíada.

Paes, que governou a cidade de 2009 a 2016, não teve seu nome ligado diretamente às investigações. "Nesse momento não temos informações sobre a participação do senhor Eduardo Paes”, afirmou o procurador Rafael Barreto.

Em nota, o ex-prefeito disse que será "uma grande decepção" caso confirmadas as acusações contra seu ex-secretário. "Alexandre Pinto é um servidor de carreira da Prefeitura do Rio. A política não teve qualquer relação com sua nomeação para a função de secretário de Obras", afirmou.

O esquema de propina descoberto dentro da Secretaria Municipal de Obras da Prefeitura do Rio era uma réplica do grande esquema de propina comandando pelo ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) no âmbito estadual, de acordo com os procuradores, e foi revelado em acordo de leniência assinado pela empreiteira Carioca Engenharia.

“Dá para perceber conexão entre os dois esquemas e chegamos a uma nova frente. A organização criminosa liderada pelo Sérgio Cabral teve ramificações no PMDB. Também se falava em taxa de oxigênio e um esquema foi replicado na cidade do Rio de Janeiro”, disse o procurador Sérgio Pinel.

Foco da investigação, o BRT Transcarioca é uma das vias exclusivas de ônibus construídas no Rio tendo em vista a melhoria da mobilidade urbana da cidade para os Jogos Olímpicos do ano passado, ligando o aeroporto internacional ao bairro da Barra da Tijuca, que foi o coração da Olimpíada.

A despoluição da Bacia de Jacarepaguá também fez parte da proposta da cidade para receber a Olimpíada, assim como a limpeza da Baía de Guanabara, mas ambos os projetos de despoluição das águas acabaram não se concretizando.

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