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Mercado brasileiro de café vê entregas reduzidas de grãos de alta qualidade

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - Exportadores e traders operando no mercado brasileiro de café estão reportando entregas abaixo do esperado de grãos de alta qualidade à medida que a colheita se aproxima do fim, apontando fatores como clima adverso, a infestação por broca e vendas mais lentas de produtores.

O mercado global de café já estava esperando volumes menores do Brasil nesta safra, uma vez que o país está em um ano de bienalidade negativa de produção, mas a colheita deverá ser ainda menor do que a estimada inicialmente, especialmente de grãos de alta qualidade para exportação.

    Caso a perspectiva negativa se confirme ao passo que a colheita se aproxima de sua conclusão ainda em agosto, compradores tradicionais de grãos de café brasileiros de alta qualidade poderão ter que buscar o produto em outro lugar.

    Um operador do Estado de Minas Gerais que trabalha para um das cinco maiores tradings disse que as entregas de grãos de alta qualidade estão atualmente cerca de 30 por cento abaixo do período similar do ano passado.

    Para comparação, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está estimando uma safra total (incluindo café de menor qualidade e o tipo robusta) 11 por cento menor, para 45,5 milhões neste ano, ante 51,3 milhões de sacas no ano passado.

    "Os grãos estão menores e muitos lotes estão sendo rejeitados por compradores devido ao dano da broca além do limite de 5 por cento", disse o operador.

    Um operador de café em uma comercializadora internacional de commodities disse à Reuters que alguns exportadores estão demonstrando surpresa com o ritmo lento da chegada de grãos de alta qualidade ao mercado.

    "Do meu ponto de vista, o problema real é a infestação de broca. Mas produtores também estão ajudando a reduzir as entregas ao acumular café na esperança de preços melhores", disse ele.

    A Reuters reportou na semana passada que a atual infestação de broca é uma das maiores que se tem notícia.

    O primeiro operador disse que os lotes chegando à exportadora mostraram em muitos casos níveis de danos por broca de 7 por cento ou mais.

    Casos extremos mostravam danos de até 15 por cento.

    "Estamos seguindo o limite de 5 por cento (nas compras). Mas alguns compradores estão negociando descontos para receber café com danos superiores", disse ele.

    Glaucio de Castro, um produtor de café que cultiva 312 hectares na região do Cerrado, em Minas Gerais, disse que foi difícil controlar besouros neste ano, uma vez que os pés no ano de baixa possuem mais folhas, evitando que os químicos alcancem os insetos. Ele também disse que a falta de água pode ter reduzido o tamanho dos grãos.

    "Eu esperava uma produção menor, devido à renovação e depois da safra cheia no ano passado. Mas, no fim, ela ficará 20 por cento abaixo da minha expectativa."

    A situação pode já estar impactando os volumes de exportação. Os embarques em julho registraram os menores volumes mensais em mais de 10 anos, a 1,6 milhão de sacas.

    Eduardo Heron, diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), disse que apesar dos probelmas com a safra e as menores vendas de produtores, a demanda no exterior também está impactando o fluxo de café brasileiro.

    "Consumidores parecem estar bem abastecidos e os preços não estão atraíndo o interesse de produtores", disse ele.

    (Por Marcelo Teixeira; reportagem adicional de Marcy Nicholson e Roberto Samora)  

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