Melhora da rentabilidade do BB no 2º tri agrada mercado, mas inadimplência incomoda

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco do Brasil reforçou compromisso com aumento da rentabilidade, apoiado em redução de custos e maior eficiência, o que abrandou as preocupações de investidores e analistas com nova piora na qualidade do crédito no segundo trimestre, permitindo leve alta das ações.

Após o banco ter anunciado forte alta do lucro recorrente do segundo trimestre, executivos sinalizaram que o esforço para reduzir a distância em relação aos rivais privados em termos de rentabilidade vai continuar.

"O Banco do Brasil está muito próximo de fazer sua rentabilidade sobre o patrimônio atingir o nível do nosso custo de capital", disse a jornalistas o vice-presidente de finanças e de relações com investidores, Alberto Monteiro de Queiroz Neto.

A rentabilidade do BB sobre o patrimônio líquido médio, que mede como um banco remunera o capital dos acionistas, atingiu 10,7 por cento no segundo trimestre. Embora tenha subido três pontos sobre um ano antes, ainda está bem abaixo dos níveis de rivais privados como Itaú Unibanco e Bradesco, ao redor de 20 por cento no trimestre.

A relação entre rentabilidade, ROE no jargão do mercado, e o custo de capital, é uma forma que investidores costumam usar para definir se vale a pena investir na ação de uma empresa em vez de comprar títulos do governo. O custo de capital varia de empresa para empresa, mas, de modo geral, é a soma da taxa básica de juros, hoje em 9,25 por cento ao ano, mais a taxa de risco país, de ao redor de 2 pontos percentuais.

O presidente-executivo do BB, Paulo Caffarelli, disse que essa evolução virá do controle de despesas, outro item elogiado por analistas, e do aumento das receitas com tarifas e serviços.

As despesas operacionais caíram 4,4 por cento sobre mesma etapa de 2016, após um programa de cortes de custos no fim de 2016, que fechou cerca de 550 agências no país e cortou cerca de 10 mil funcionários. E as receitas com tarifas cresceram 7,3 por cento.

"Estamos preparados para obter resultados crescentes, à medida que a economia do país se recupera", disse Caffarelli, adiantando que o banco deve lançar em breve iniciativas para ampliar receitas, além de incentivar maior uso dos canais digitais, que permitem ganho de produtividade.

Uma das iniciativas nesse sentido será o lançamento de uma plataforma de gestão de recursos para clientes de varejo, que incluirá oferta de fundos de terceiros, num molde similar ao da XP Investimentos.

A reboque desses destaques, a ação do BB subia 0,6 por cento na B3 às 15h37, enquanto o Ibovespa tinha queda de 1 por cento.

DESTAQUES NEGATIVOS

Na ponta contrária, o BB viu nova piora da qualidade de sua carteira de crédito, com o índice de inadimplência acima de 90 dias atingindo 4,1 por cento, o pico em pelo menos oito anos.

"O índice de atrasos voltou a se deteriorar e a qualidade dos ativos foi no geral negativa", comentaram analistas do Itaú BBA liderados por Thiago Batista.

Segundo Caffarelli, a piora do índice refletiu maior presença do banco em segmentos que foram mais afetados pela recessão no país, como empresas de pequeno e médio portes. No entanto, disse, indicadores antecedentes da qualidade do crédito, como os de atrasos de curto prazo e os de formação de inadimplência futura indicam melhora da carteira.

"No segundo semestre, nosso índice de estabilidade deve ficar estável", disse Caffarelli.

O presidente do BB também comentou que a instituição está percebendo maior concorrência de bancos privados na concessão de empréstimos ao agronegócio, tradicional mercado do Banco do Brasil.

No segundo trimestre, a carteira ao agronegócio do banco equivalia a 188,2 bilhões de reais, perto do nível de 184,5 bilhões de um ano antes.

Na terça-feira, o presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, afirmou em entrevista à Reuters que o banco vai abrir 100 unidades de atendimento ao agronegócio até 2018, como parte de um plano de expansão no setor.

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