BNDES negocia devolução de recursos do FAT e mira captações externas, diz diretor

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O BNDES está negociando com o governo federal a devolução de parte dos recursos recebidos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que servem de fonte de financiamento de empréstimos da instituição de fomento, afirmou o diretor das áreas financeira, internacional e controladoria do banco, Carlos Thadeu de Freitas, nesta segunda-feira.

Segundo o diretor do BNDES, as negociações entre governo federal e o BNDES já duram "algum tempo" e o montante a ser devolvido ao FAT ainda não foi definido.

Em entrevista ao jornal O Globo publicada mais cedo nesta segunda-feira, o ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira, afirmou que o FAT passa por "desequilíbrio grave" diante de despesas com seguro-desemprego e abono de 58 bilhões de reais. Segundo o ministro, o BNDES não poderá contar mais com recursos do FAT nem com o Tesouro Nacional.

Questionado sobre o assunto, Freitas, do BNDES, afirmou que o banco tem que ajudar o governo em tempos de dificuldades fiscais.

"O país vive hoje momentos de incertezas fiscais e é natural o governo buscar as instituições para que elas possam contribuir para a dinâmica benigna fiscal”, disse o diretor a jornalistas em evento de sustentabilidade e finanças.

"Cada um tem que dar a sua parte do sacrifício e não posso dizer nesse momento quando vai acontecer e se vai acontecer. A idéia tem que ser primeiro normatizada, mas boa vontade existe", disse Freitas. "Não há estimativa de valores (a serem devolvidos)", acrescentou.

Ao ser perguntado se a devolução não poderia afetar o caixa do banco, Freitas frisou que o banco tem um caixa robusto para 2017 e reforçou a idéia que o banco pretende voltar a fazer grandes captações externas a partir de 2018. O BNDES concluiu em dezembro do ano passado devolução de 100 bilhões de reais ao Tesouro.

No início do mês, o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, afirmou que o banco se prepara para fazer uma captação externa de ao menos 5 bilhões reais no ano que vem, o equivalente a cerca de 1,5 bilhão de dólares.

"O banco está com caixa bastante confortável no curto prazo mas vai entrar numa fase de captação externa para aproveitar a liquidez internacional e prazos longos", disse o Freitas.

Segundo o balanço de primeiro semestre do BNDES, no período o banco captou 3,8 bilhões de reais do FAT, enquanto no mercado externo houve captação de 3,2 bilhões por meio de emissão de green bonds.

Questionado sobre a estimativa do banco para os financiamentos em 2017, o executivo comentou que "dificilmente o volume de desembolsos superará os 100 bilhões de reais". Até julho, os desembolsos do BNDES somaram 40,2 bilhões de reais, uma redução de 17 por cento ante igual período de 2016.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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