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Rodrigo Maia diz que nova denúncia contra Temer não tem descrédito após episódio de áudio da J&F

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quinta-feira que uma eventual nova denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer não estaria em "descrédito", após a revelação do áudio da conversa entre delatores da J&F em que teriam omitido informações do acordo de colaboração.

Se Temer for denunciado pela segunda vez ao Supremo Tribunal Federal, caberá novamente à Câmara autorizar a Corte a realizar o julgamento da acusação criminal contra o presidente. Em agosto, uma denúncia por corrupção passiva foi barrada pelos deputados.

"Ela (a denúncia) pode ser aceita ou não, como a primeira, mas nenhuma tem descrédito. Nós respeitamos os poderes, o Supremo, o poder Executivo, respeitamos a PGR, o Ministério Público, nada tem descrédito", disse Maia, que assistiu ao Desfile Cívico em homenagem ao Dia da Independência, em Brasília.

O presidente da Câmara, contudo, ressalvou que os deputados têm independência para avaliar se aceitam ou não a denúncia. "Na primeira, não havia, segundo o plenário, elementos (para a aceitação). Mas nós respeitamos qualquer decisão da PGR e temos a soberania de decidir se aceitamos ou não por maioria", destacou.

Rodrigo Maia não quis dizer se o clima político melhorou no Congresso. Ele listou a sucessão de eventos que ocorreu esta semana - a divulgação do áudio, a apreensão dos 51 milhões de reais supostamente atribuídos ao ex-ministro Geddel Vieira Lima e o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci - para dizer que não é possível fazer qualquer tipo de previsão momentânea ou futura.

"É o que eu tenho dito para as pessoas sobre a eleição: se só numa semana foram tantos fatos, 2018 faltam 100 anos para chegar", disse.

DECISÃO DURA

O presidente da Câmara também citou "questões distintas" ao ser questionado sobre se a reviravolta envolvendo o Ministério Público facilitaria a votação de reformas políticas e na área da economia.

Para Maia, a Procuradoria vai tomar uma decisão "correta" e "dura" ao final do processo de revisão da colaboração premiada de delatores da J&F. Ele não especificou qual providência Janot pediria --a tendência é que o procurador-geral peça o fim da imunidade penal dos delatores.

Em relação à agenda de votações, o presidente da Câmara disse que vai pautar o que for importante para o país. Defendeu a votação da reforma política e disse ter a expectativa de ainda aprovar a adoção do sistema de eleição distrital misto para 2022 e, depois, tentar buscar um entendimento para votar a reforma da Previdência.

"Vamos pedir ao governo que nos ajude a colocar o quórum, porque a base do governo tem número e eu acho que o governo tem condições de colaborar com a Câmara dos Deputados para que, quando eu com os líderes decidirmos a data da pauta da reforma da Previdência, a gente possa votá-la ainda no mês de outubro", destacou.

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