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Para Maia, governo precisa repactuar relação com base, mas é possível votar Previdência em 4 semanas

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira que cabe ao governo do presidente Michel Temer "repactuar" a sua relação com a base aliada a fim de tentar garantir os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência na Casa.

Maia disse que os deputados estão "machucados" após o "desgaste" por que passaram ao rejeitar as duas denúncias contra Temer. Para ele, o Executivo tem de conversar com os parlamentares da sua base a fim de discutir e votar a reforma.

"Tem desgaste e cabe ao governo reorganizar a sua base e repactuar a sua base para que a gente possa voltar a ter número suficiente para votar a Previdência", disse Maia, em entrevista a jornalistas na saída da reunião de líderes da Câmara.

Maia disse que a não votação da reforma não pode ser creditada como culpa do centrão, do PSDB ou do DEM.

"É ruim querer responsabilizar A, B ou C aqui. Nós passamos cinco meses aqui em momento de muita tensão e desgaste na base", disse, numa referência indireta à delação da J&F que implicou Temer.

Mas o presidente da Câmara disse também que é possível se votar a reforma em quatro semanas. Ele afirmou que é preciso informar à população que a reforma visa a reduzir o elevado déficit do setor e criar um sistema mais equilibrado, em que aqueles que ganham menos possam ser beneficiados.

Mais cedo, na chegada à reunião, o deputado do DEM havia dito que cabe ao governo "construir" o apoio da sua base a fim de aprovar a reforma.

O presidente da Câmara defendeu que se vote uma reforma da Previdência que aborde, ao menos, a idade mínima para a aposentadoria, uma regra de transição e também uma mudança na concessão de benefícios para o serviço público.

Segundo Maia, é preciso aprovar a reforma para que o país não vire uma Grécia. Ele não foi ao Palácio do Planalto para participar da reunião promovida por Temer com líderes partidários.

Desde o início de maio, antes da eclosão da crise envolvendo a delação da J&F que implicou Temer, o texto da reforma da Previdência está parado no plenário da Câmara.

TEMER PROMETE EMPENHO

Em pronunciamento no início de uma reunião com líderes da base governista, no Palácio do Planalto, Temer prometeu que vai continuar se empenhado na aprovação da reforma previdenciária.

"Mesmo que não se consiga fazer todas as mudanças que a reforma da Previdência propõe, que possamos fazer um avanço que permita a quem vier depois fazer uma nova revisão", defendeu.

Num ataque indireto ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, autor das duas denúncias contra ele, Temer afirmou que houve "gestos inadequados" praticados por algumas figuras que atrasaram a reforma da Previdência.

O presidente argumentou ainda que muitos pretendem derrotar a reforma da Previdência supondo que, ao rejeitá-la, vão impor uma derrota ao governo, o que não é verdade.

(Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu)

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