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Moody's vê recuperação mais lenta em reservatórios impactar geradores hidrelétricos

(Reuters) - A agência de classificação de riscos Moody's alertou que a recuperação dos reservatórios das hidrelétricas do Brasil deverá ser mais lenta que o estimado anteriormente, o que vai impactar a geração de caixa principalmente de empresas que operam usinas hídricas e têm a produção comercializada no mercado livre de eletricidade.

Em nota nesta terça-feira, a Moody's reduziu suas perspectivas para as geradoras que atuam no mercado livre de eletricidade para "estável", versus "positiva" antes, o que reflete projeções para os fundamentos associados aos negócios dessas empresas nos próximos 12 a 18 meses.

"O prolongado período de condições hidrológicas fracas indica que os níveis dos reservatórios das hidrelétricas vão se recuperar num ritmo mais lento que o antecipado", disse o analista da Moody's Paco Debonnaire.

Com a menor geração devido à falta de água nas usinas, os operadores de hidrelétricas deverão ter que comprar energia no mercado de eletricidade para atender seus contratos. Essa exposição ao mercado spot deve ser de 19 por cento da capacidade das usinas em 2017 e 12 por cento em 2018, respectivamente.

"Uma exposição maior que a prevista no mercado spot continuará pressionando os fluxos de caixa das nossas companhias de geração hidrelétrica com rating atribuído", disse Debonnaire. "Em nossa carteira de emissores com rating, a grande maioria das companhias gera energia por meio de hidrelétricas. No Brasil, mais de 60 por cento do fornecimento de energia é produzido por usinas hídricas", adicionou.

ACORDO

A Moody's avalia ainda que as elétricas chegarão a algum acordo em 2018 para acabar com uma disputa judicial no mercado de eletricidade que se arrasta desde 2015, devido à menor geração das hidrelétricas devido ao baixo nível dos reservatórios.

Com isso, empresas que estavam protegidas de perdas com a situação deverão ter que retirar suas ações judiciais e quitar dívidas passadas, "o que deve resultar em saídas de caixa adicionais ao longo de 2018", aponta a agência de risco.

A Moody's pode ainda alterar a perspectiva para as elétricas para negativa se houver um agravamento das condições hidrológicas.

(Por Luciano Costa)

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