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Canadá e México questionarão exigências dos EUA para o setor automotivo no Nafta

20/11/2017 12h16

Por David Lawder e Sharay Angulo

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O Canadá e o México não só não farão contrapropostas às exigências dos Estados Unidos de regras mais rígidas para o conteúdo dos automóveis no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), mas apresentarão refutações e cobrirão os negociadores dos EUA de perguntas técnicas nesta segunda-feira, disseram pessoas a par das conversas.

O Canadá fará uma apresentação argumentando que as demandas dos EUA causariam danos graves ao setor automotivo dos EUA e da América do Norte, segundo uma fonte canadense familiarizada com as negociações.

A refutação deve ocorrer segunda-feira, quando os negociadores retomam os debates sobre as regras de origem do setor automotivo na quinta rodada de conversas para atualizar o Nafta, em vigor há 23 anos.

No mês passado o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, surpreendeu seus parceiros de Nafta formulando exigências de que metade do conteúdo de todos os automóveis construídos na América do Norte seja produzido nos EUA e que a imposição de conteúdo regional nos veículos seja elevada dos atuais 62,5 por cento para 85 por cento.

As demandas têm como objetivo cumprir as metas traçadas por Trump para o Nafta – conter o fluxo de empregos do setor para o México, que paga salários baixos, e reverter o déficit comercial de 64 bilhões de dólares com seu vizinho do sul.

"Em termos do setor automotivo, a proposta dos EUA é insana", disse um representante da indústria automotiva mexicana a par das conversas. "Não se pode fazer contrapropostas a tal loucura".

A apresentação da equipe de negociação canadense irá "fornecer informações sobre como a proposta de regras de origem para automóveis prejudicaria a indústria continental em geral e a dos EUA em particular", disse a fonte canadense.

"Se você elevar a exigência de conteúdo para 80 por cento, ou mesmo um número menor do que isso, atingirá a cadeia de suprimentos. Então você teria que lidar com fornecedores potencialmente despreparados que podem ser mais caros", acrescentou a fonte.

No domingo, a porta-voz da representante comercial dos EUA não quis comentar as conversas.

Flavio Volpe, presidente da Associação dos Fabricantes de Peças Automotivas do Canadá, também disse que seu país e o México tentarão convencer autoridades dos EUA de que as propostas prejudicarão a competitividade norte-americana e reduzirão as vagas nas linhas de montagem de veículos e peças no continente.

(Reportagem adicional de David Ljunggren e Anthony Esposito)

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