Presidente do BNDES vê retomada desigual em 2018; diz que candidatura é inexistente

Por Gabriela Mello

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, disse nesta segunda-feira que retomada econômica do país em 2018 será desigual e afirmou que sua candidatura presidencial é "inexistente".

"2018 é o ano da retomada, mas ela será dispersa, desigual, veremos alguns setores indo muito bem e outros capengando", disse Rabello de Castro a jornalistas durante seminário da Câmara Americana de Comércio, em São Paulo.

Segundo ele, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados na semana passada pelo IBGE apontam que o motor da retomada por enquanto é o consumo.

"Mas simplesmente reduzir o sinal da retomada ao consumo seria cometer injustiças grandes com, por exemplo, o desempenho excepcional do agronegócio e dos investimentos em segmentos relacionados a maquinários e equipamentos agrícolas", afirmou.

No caso da indústria, o presidente do BNDES ressaltou que algumas áreas, como a automotiva, já mostram sinais de melhora. Já em relação à infraestrutura, ele observou que o processo eleitoral pode ser um entrave para expansão mais significativa dos investimentos.

Rabello de Castro acrescentou que os desembolsos do banco de fomento devem ficar abaixo do nível programado de amortizações no próximo ano. "Temos tido amortizações superiores aos desembolsos programados, não por falta de recursos, mas pela demanda. Não é segredo que essa diferença nos faz antecipar recursos que seriam devolvidos (à União) depois de 2050", disse.

CANDIDATURA

Questionado sobre sua filiação ao PSC no início de outubro, Rabello de Castro disse que sua participação na disputa presidencial do ano que vem é "inexistente".

Segundo ele, o país passa por um "momento de virada" e a janela partidária é a melhor maneira de se participar desse processo. "Nos próximos quatro anos serão jogados os dados e fichas dos próximos 20", afirmou.

JBS

Principal acionista minoritário na JBS, o BNDES ainda aguarda a convocação de uma assembleia geral para deliberar sobre os prejuízos que a confissão explícita de atos ilícitos cometidos pelos acionistas controladores causou à companhia, disse Rabello de Castro.

"O conselho de administração não é um local suficientemente amplo para discussão que precisa ser feita, por mais que lá tenhamos conselheiros novos do BNDES muito bem equipados… Precisamos de AGE, é nela que sócios discutem as perspectivas da empresa", comentou.

Ele lembrou, contudo, que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda precisa se pronunciar sobre o conflito de interesses na empresa. "Não tem cabimento que quem está envolvido em discussão sobre prejuízos causados à JBS também vote em AGE".

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