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IPCA desacelera alta mais que o esperado em novembro e aumenta chance de fechar 2017 abaixo da meta

Por Rodrigo Viga Gaier e Patricia Duarte

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial do Brasil desacelerou mais do que o esperado em novembro, com nova queda nos preços dos alimentos, aumentando bastante a chance de o resultado fechado de 2017 ficar abaixo da meta do governo, em meio ao cenário de recuperação econômica gradual que pavimenta ainda mais o caminho para os juros básicos continuarem recuando.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,28 por cento em novembro, contra 0,42 por cento em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, acumulando em 12 meses avanço de 2,80 por cento, contra 2,70 por cento no mês anterior.

As expectativas de analistas em pesquisa da Reuters eram de alta de 0,35 por cento no mês e de 2,88 por cento em 12 meses.

"Para (a inflação) ficar em 3 por cento em 2017, o IPCA de dezembro tem que ser de 0,49 por cento... Em dezembro do ano passado, (a alta) foi 0,30 por cento. Isso já é uma indicação", afirmou o gerente do indicador no IBGE, Fernando Gonçalves.

A meta do governo neste ano é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 1,25 ponto percentual para mais ou menos. Se o resultado final do ano ficar fora dessa banda, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, terá de fazer uma carta aberta para explicar o porquê do erro, que seria o primeiro desde a criação do regime de metas por ter ficado abaixo do piso.

Segundo o IBGE, o grupo Alimentação e bebidas registrou deflação de 0,38 por cento em novembro, sétimo mês seguido de queda dos preços, acumulando em 12 meses variação negativa de 2,32 por cento. Os principais destaques foram os recuos da farinha de mandioca (-4,78 por cento) e carnes (-0,11 por cento), além do feijão-carioca (-8,40 por cento).

Na outra ponta, o grupo Habitação mostrou inflação de 1,27 por cento no período, maior impacto no IPCA todo (0,20 ponto percentual), com as altas nos preços da energia elétrica (+4,21 por cento) e do gás de botijão (+1,57 por cento).

O aumento da energia elétrica em novembro já era esperado, após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovar mudanças nas bandeiras tarifárias. Em dezembro, as contas de luz terão bandeira tarifária nível 1, reduzindo o impacto nas tarifas e que também deve contribuir para a inflação do IPCA ficar abaixo da meta neste ano.

Outro alívio no futuro também deve vir dos preços do gás de botijão.

Após um aumento de 8,9 por cento nesta semana, a Petrobras informou que decidiu revisar a metodologia de reajuste de seus preços do gás de cozinha para suavizar o repasse dos preços internacionais, depois de disparada de quase 70 por cento nas cotações do produto para os distribuidores desde o início de junho, com impacto relevante para grande parte da população que utiliza esse bem de primeira necessidade.

Nesta semana, o BC reduziu a taxa básica de juros para a mínima histórica de 7 por cento diante da inflação bastante controlada e atividade mostrando recuperação contida, e deu indicações de que continuará o movimento no início de 2018. [nL1N1O624A]

Nesta sessão, os DIs preficificavam cerca de 70 por cento de chances, sobre 60 por cento na véspera, de o BC reduzir a Selic a 6,75 por cento em fevereiro, na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano.

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