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Carentes de rentabilidade, fundos de pensão voltam ao risco, mas descartam FIPs

Por Aluisio Alves

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A queda dos juros para mínimas históricas no Brasil está forçando os grandes fundos fechados de previdência complementar a abandonar o porto seguro dos títulos públicos para voltar a buscar ativos de maior risco que oferecem rentabilidades maiores, mas os fundos de participações (FIPs) não estão nos planos por enquanto.

Em vez disso, Previ, Petros e Funcef, os três maiores do país, cujos ativos somados representam cerca de 40 por cento dessa indústria, estão buscando alternativas como comprar mais ações, serem mais ativos no sobe-e-desce do mercado de juros e baixar a meta atuarial para tentar deixar as carteiras com resultados mais previsíveis após anos de severos revezes, inclusive dos próprios FIPs nos quais investiram.

"Precisamos de rentabilidade, sim, mas FIPs não fazem parte do nosso leque de alternativas por um tempo", disse nesta sexta-feira Carlos Vieira, presidente do Funcef, caixa de previdência dos empregados da Caixa Econômica Federal, durante evento do setor.

Terceira maior do país, a Funcef foi talvez o fundo que mais acusou os efeitos perversos da entrada nos fundos de participações. De 2009 a 2014, a participação dessa categoria na carteira da Funcef saiu de zero para cerca de 6 bilhões de reais.

O movimento envolveu entrar nos FIPs Sondas (leia-se Sete Brasil, que está em recuperação judicial), FIP Florestal (Eldorado Brasil, investimento que foi alvo de investigação pela Polícia Federal) e outro que investe no consórcio Norte Energia, responsável pela hidrelétrica de Belo Monte.

Perdas com investimentos nesses ativos foram um dos motivos que fizeram o Funcef ficar cinco anos seguidos abaixo da meta atuarial - rentabilidade mínima necessária para que o fundo consiga pagar os benefícios de todos os seus participantes ao longo do tempo. Mas foi pior do que isso. Ativos que estavam na carteira se desvalorizaram. O Funcef chegou a acumular um déficit ao redor de 18 bilhões de reais.

Nos últimos dois anos, o fundo vêm tentando se reequilibrar. Fez um plano de equacionamento, que obriga os participantes a elevarem suas contribuições por 20 anos. Em outra frente, vem vendendo ativos. No ano passado, vendeu sua participação na Eldorado com o comprador pagando o valor previsto de rentabilidade do ativo quando a Funcef entrou.

Com a Selic na casa dos 14 por cento, Funcef e Petros conseguiram postergar parte do ajuste, apenas atrelando uma parte maior da carteira a papéis públicos. Agora, com a taxa básica em 7 por cento, estão tendo que mudar.

A Petros, dos empregados da Petrobras, pulverizou a gestão de uma carteira de ações de cerca de 2,5 bilhões de reais entre 12 gestores diferentes no mercado. Além disso, passou a comprar mais papéis privados e a fazer uma gestão mais ativa da carteira de títulos públicos, explicou seu presidente, Walter Mendes.

"Não é porque um título promete pagar taxa real de 4 por cento ao ano e a minha meta é 5 por cento que eu não posso comprá-lo", disse Mendes à Reuters. "Dá pra ganhar com a marcação desses papéis a mercado, uma coisa que não era feita antes e fazemos agora."

A Petros também se desfez de um investimento antigo na Itaúsa, holding do Itaú Unibanco, no fim do ano passado.

O problema dos FIPs, que chegaram a compor 2 a 3 por cento do patrimônio sob gestão, deve ser resolvido até 2019, diz Mendes. O fundo também investiu na Norte Energia e na Invepar, holding de infraestrutura, da qual participam Funcef e Previ. A Petros não planeja novos investimentos em FIPs por enquanto.

"A regulação dos FIPs precisa melhorar primeiro", disse Mendes no evento, promovido justamente para discutir problemas do modelo atual, inclusive regulatórios, que deixaram os fundos vulneráveis a perdas robustas sem poderem fazer muito.

Em conjunto, os três fundos vão apresentar um conjunto de propostas para mudanças no desenho dos FIPs, inclusive as de exigir mais comprometimento dos gestores contratados para gerir esses veículos de investimentos.

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