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Futuro presidente do Bradesco, Lazari frisa legado e descarta internacionalização

05/02/2018 18h31

Por Aluisio Alves e Carolina Mandl

SÃO PAULO (Reuters) - Designado nesta segunda-feira para ser o quinto presidente-executivo do Bradesco, Octavio de Lazari sinalizou a manutenção de diretrizes tradicionais do banco, como o foco no Brasil e na ampla rede de agências.

Eleito no fim de um processo iniciado em novembro de 2016, Lazari repetiu a jornalistas nesta segunda-feira frases do atual presidente-executivo Luiz Carlos Trabuco, ao ser perguntado sobre o futuro do banco sob seu comando.

"Ter uma rede de cerca de cinco mil agências é uma vantagem competitiva", afirmou Lazari, quando perguntado sobre os desafios como lidar com uma estrutura que passou a ser a maior do país, após a compra das operações locais do HSBC, mesmo sendo apenas o quinto no ranking de ativos.

O Bradesco reduziu a folha de pagamentos em cerca de 7,5 mil postos e fechou cerca de 500 agências em 2017, dentro de um plano para ganhar sinergias e melhorar a rentabilidade.

Na semana passada, o Bradesco anunciou que seu lucro do quarto trimestre subiu apoiado no crédito, que voltou a crescer sequencialmente após pelo menos um ano de queda, mas o movimento foi contido por nova alta de provisões para calotes.

Em outra frente, Lazari também sinalizou que não planeja seguir o caminho de rivais como Itaú Unibanco e Banco do Brasil, que expandiram operações em outros mercados da América Latina, como Argentina e Chile.

"O foco de expansão do Bradesco continua sendo o Brasil", afirmou também Lazari, respondendo a outra questão, sobre eventual plano de internacionalização do grupo.

As declarações de Lazari sinalizam a manutenção do foco do grupo nas linhas mestras que o levaram a outrora ser o maior banco privado do país, posição assumida em 1998 com a fusão que deu origem ao Itaú Unibanco.

A indicação de Lazari repete a trilha do Bradesco desde a criação do grupo, em 1943. Desde então, os sucessores do fundador Amador Aguiar iniciaram no Bradesco como contínuos e foram galgando posições até assumirem a presidência-executiva.

Lazari, cuja nomeação deve ser confirmada na assembleia de acionistas marcada para 12 de março, entrou no banco em 1978, aos 14 anos. Agora, com 54 anos, o executivo passou pelas áreas bancária e de seguros, as duas mais importantes do banco, currículo que o ajudou a superar os concorrentes ao cargo.

"Lazari tem uma experiência extremamente horizontalizada, o que foi levado em conta na sua indicação", afirmou Trabuco.

Até a assembleia de março, a primeira missão de Lazari será justamente reorganizar o time de vice-presidentes, o que vai mexer com executivos que eram seus agora ex-competidores, os vice-presidentes Domingos Abreu, Alexandre Glüher, Josué Pancini e Maurício Minas. Todos foram nomeados para compor o conselho de administração do banco, que tem nove cadeiras.

Como o banco também nomeou dois novos vice-presidentes sem designação específica, os diretores Cassiano Scarpelli e Eurico Fabri, dois dos atuais vices devem deixar seus cargos, permanecendo apenas como membros do conselho. Mas isso só definido até março, quando será definida também a presidência da Bradesco Seguros, posição que será acumulada por Lazari até lá.

As ações do Bradesco terminaram o dia em queda de 1,6 por cento, cotadas a 37,80 reais, enquanto o Ibovespa encerrou em queda de 2,6 por cento.

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