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Volumes crescentes da B3 animam analistas, que alertam para concorrência

SÃO PAULO (Reuters) - Resultados operacionais fortes da B3 e perspectivas de volumes crescentes nas principais linhas de negócios agradaram nesta sexta-feira analistas, que no entanto alertaram para riscos de volatilidade no curto prazo por conta de noticiário envolvendo competição no mercado à vista de ações.

Em reunião com analistas do mercado, executivos da empresa frisaram que itens que sustentaram um resultado visto como sólido no fim de 2017, com alta dos volumes nos segmentos de ações e controle de custos, devem seguir ditando o tom neste ano e nos próximos, à medida que o mercado de capitais reflete a recuperação da economia e a empresa ganha sinergias da fusão.

"Há muitas empresas bem preparadas para se listarem na bolsa", disse o vice-presidente de finanças e de relações com investidores da B3, Daniel Sonder.

"Os volumes em contratos de juros talvez não repitam o volume de 2017, mas a procura por hedge cambial e por outros derivativos deve crescer" acrescentou em reunião da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec).

As declarações vêm após a B3 ter divulgado na noite de quinta-feira receitas maiores no quarto trimestre, favorecida por volumes crescentes de negócios no mercado financeiro, mas uma queda no lucro em função de piora no resultado financeiro.

Analistas classificaram o conjunto do balanço como sólido, mas esperado e que os números preliminares de 2018 indicam continuação dessa tendência, o que dá lastro para manter a ação da empresa entre suas preferidas nas carteiras de recomendações.

A ação da empresa apareceu em três de cinco carteiras recomendadas por analistas para março, uma vez que a sucessão de recordes do Ibovespa e uma nova onda de empresas planejando se listar na bolsa indicam ganhos operacionais crescentes na principal linha de receitas da B3.

"Vemos a B3 como uma das histórias mais interessantes para quem quer se expor à recuperação do Brasil nos próximos anos, com a empresa se beneficiando do cenário de taxas de juros menores", afirmou a equipe do BTG Pactual liderada por Eduardo Rossman, que reforçou a recomendação de compra para o papel após o resultado da companhia no quarto trimestre.

O próprio vice-presidente da B3 indicou que a empresa pode entregar proventos crescentes a acionistas após 2019, quando espera ter concluído o ciclo de desalavancagem. A bolsa está reduzindo o endividamento criado pelos custos associados à fusão da BM&FBovespa/Cetip, que deu origem à empresa.

Além disso, Sonder disse que a combinação de receitas em alta com despesas sob controle permite melhora das margens em 2018, mesmo com pressão oriunda da participação crescente de investidores que giram volumes maiores, como os institucionais e os de alta frequência, e, consequentemente, pagam tarifas menores.

"Há espaço para elevar a margem Ebitda em 2018", disse Sonder no encontro com os analistas.

A equipe do Credit Suisse não apenas reforçou a recomendação de compra como elevou o preço-alvo das ações da B3 de 28 para 30 reais.

No entanto, tanto o Credit Suisse quanto o BTG Pactual alertaram que os papéis da B3 estão vulneráveis à volatilidade de curto prazo em função de eventuais notícias ligadas a possível competição no mercado de ações.

A Reuters publicou em janeiro que a ATS, braço da Americas Trading Group (ATG), se conectou ao serviço de depositária central da B3 e está ajustando seu sistema de liquidação em preparação para competir no mercado à vista de ações no Brasil.

"A ATS está aparentemente trabalhando para se conectar com a B3", afirmou o BTG Pactual. "Os maiores riscos para nossa análise são a potencial competição no mercado à vista de ações e na área de gravames de financiamento de veículos", disse o relatório do Credit Suisse.

Às 15:29, a ação da B3 caía 1,06 por cento. No mesmo horário, o Ibovespa tinha baixa de 0,64 por cento.

(Por Aluísio Alves)

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