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Brasília enfrenta seca e racionamento durante realização do 8º Fórum Mundial da Água

Por Jake Spring

CEILÂNDIA (Reuters) - Diane Pereira já havia usado metade de um grande tambor de água às 9h desta quinta-feira cozinhando arroz e feijão para o almoço que serviria em seu pequeno restaurante sem porta na Ceilândia, cidade satélite de Brasília, com música evangélica tocando ao fundo.

Diante do racionamento diurno instituído pelo governo na quarta-feira, Diane disse estar fazendo tudo que pode para economizar, inclusive usar copos de plástico ao invés de vidro e colocar menos água na comida. Se seus dois tambores acabassem, ela teria que encerrar o expediente mais cedo.    "Isso muda tudo. Não há água para lavar as mãos", disse a comerciante de 28 anos.    Enquanto Diane e outros de seu bairro teriam que esperar o meio-dia desta quinta-feira para o Distrito Federal religar a água, as torneiras de Brasília estariam jorrando no 8º Fórum Mundial da Água, a maior conferência do mundo sobre o uso do recurso natural.    Normalmente a água destinada à área utilizada para o encontro trienal seria cortada nesta quinta-feira, mas o local está isento do racionamento nesta semana devido a dificuldades logísticas, de acordo com Mauricio Luduvice, presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).    A conferência desta semana, que termina na sexta-feira, ocorre em um momento no qual o Brasil ainda lida com secas prolongadas, e fóruns como "A Crise da Água no Brasil" enfrentam a questão de como a população do país rico em reservas de água fresca pode passar sede. Mais de 900 dos 5.570 municípios brasileiros estão atravessando emergências de água em resultado da seca, de acordo com o Ministério da Integração Nacional.

Grande parte do problema é levar a água onde ela é necessária, e autoridades do governo ressaltam os esforços para levar água para Brasília, alvo de uma seca, São Paulo e o Nordeste.

Vale mencionar que o canal que leva água do rio São Francisco a centenas de quilômetros de distância hoje atende um milhão de pessoas na Paraíba, que está vivenciando a pior seca do Nordeste em um século.    No Distrito Federal, o nível do principal reservatório está doze vezes acima do normal graças em grande parte a uma nova infraestrutura, e o rodízio no racionamento de água será eliminado neste ano, afirmou Luduvice.    Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, disse que seu Estado é um exemplo de como se lidar com este tipo de crise, listando várias iniciativas.    Mas muitos dizem que o governo precisa fazer mais. Organizações não-governamentais como a SOS Mata Atlântica estavam planejando protestar diante do Congresso na manhã desta quinta-feira devido ao gerenciamento de água insuficiente do governo.

Henrique Chaves, professor de administração de dejetos da Universidade de Brasília, disse que, além dos projetos públicos para aumentar o fornecimento, o Brasil precisa refrear o crescimento explosivo da demanda de água das grandes cidades para evitar mais crises de seca nesta década.

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