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Cesp tenta reduzir exposição a risco hidrológico enquanto espera privatização

SÃO PAULO (Reuters) - A estatal paulista Cesp, que opera 1,65 gigawatt em hidrelétricas em São Paulo, realizará em abril um leilão de compra de energia para criar uma reserva com o objetivo de se proteger de perdas com o chamado "risco hidrológico", enquanto aguarda o avanço de seu processo de privatização, disseram executivos da companhia em teleconferência nesta segunda-feira.

O risco hídrico, conhecido no setor como "GSF", gera perdas de faturamento para os operadores de usinas hídricas quando a produção fica abaixo do esperado por falta de água nos reservatórios, por exemplo. A situação obriga as empresas a comprar energia no mercado para honrar seus compromissos comerciais.

O caso da Cesp é ainda pior, porque a empresa já possui contratos de venda da produção até 2021 e ainda viu o governo reduzir a chamada garantia física de suas usinas a partir de janeiro deste ano, o que na prática reduz a quantidade de energia que a empresa tem para vender no mercado e a deixa mais exposta ao risco hídrico.

"De fato, estamos contratados até 2021, e com os últimos acontecimentos, a redução da garantia física, nós nos organizamos e temos um leilão colocado na praça para 4 de abril. Temos a intenção de comprar alguma energia para nos ajudar nessa parte do balanço energético da companhia", disse o presidente da Cesp, Mauro Arce, em teleconferência sobre os resultados da empresa.

O corte nas garantias físicas das usinas da companhia somou um total de 54 megawatts médios, para 1.002,6 megawatts médios.

A Cesp teve custos de 627 milhões de reais com a compra de energia para cobrir o risco hidrológico em 2017, contra 123,6 milhões em 2016. Esses custos ajudaram a companhia a fechar o ano passado com prejuízo de 168,5 milhões de reais, contra lucro de 350,8 milhões no ano anterior.

PRIVATIZAÇÃO AGUARDA

O governo paulista quer retomar o processo de privatização da Cesp, que chegou a ter um leilão agendado para setembro passado, mas um avanço ainda deverá aguardar a abertura de uma audiência pública pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para discutir um novo contrato de concessão para a maior usina da Cesp, a Porto Primavera.

O governo do Estado de São Paulo, controlador da elétrica, pediu à União a renovação do contrato da usina, que venceria em 2028, para aumentar a atratividade da companhia na desestatização.

A abertura da audiência pública sobre o contrato será analisada em reunião de diretoria da Aneel agendada para terça-feira.

A expectativa é que, após as discussões, o governo defina as condições de renovação da concessão da usina por mais 20 anos após o vencimento, em 2028, ou estabeleça um novo contrato de 30 anos já a partir deste ano.

"A gente não sabe qual o tempo dessa audiência pública, normalmente é 30 dias... enquanto não tiver uma definição em relação a isso, não dá para a gente propor ou esperar nada", disse Arce.

Ele também disse que será publicado um novo edital para o leilão de desestatização, mas não comentou que mudanças o documento poderá trazer em relação ao divulgado no ano passado.

"Um novo edital será publicado, vai trazer todas essas informações. Ainda não tenho previsão de quando esse edital será publicado", disse.

Mas ele se mostrou esperançoso em um sucesso da privatização.

"Um dos motivos alegados para não aparecer nenhum interessado no primeiro edital que fizemos, no ano passado, foi o fato de que a concessão de Porto Primavera terminava em 2028, era muito curto... agora teria mais 20 anos, os 10 que já tinha e mais 20 anos... esperamos que isso de alguma forma atenda os eventuais interessados", afirmou.

(Por Luciano Costa)

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